25 abril 2007

The Slip, Life in Disguise


Well the world is only a stage

And I'm just a man
With a sound caught in his throat
And a pick in his hand
But when the song comes tumbling out you understand
There's no great demand

Well it's there under your breath, behind your eyes
And you don't have to say nothing cause I realize
That everything somehow in someway eventually dies
It's life in disguise

It's your room and your board and your fireside
It's a shell that's been washed by a million tides
And if you're there you can see just how bright it shines

When there's nobody left in your heart, left in your head
When the whole world has packed up in shadows and left you for dead
When you can't fake a smile and you just can't get out of your bed
When the people you led turn to you looking so hungry and bare
And you were the one that had brought them there
And all you can do is just stare at your hands and whisper my name

22 abril 2007

Klaxons - Golden Skans


Depois de mais de cinco anos a viver nesta casa, ontem voltei a apaixonar-me por ela. Há já uns tempos que andávamos meio zangadas uma com a outra... por nada em especial, temos tidos uns horários complicados de conciliar. Umas tarefas que implicam não desfrutar dos momentos juntas da melhor maneira. :)
Ontem, numas poucas horas e sem os homens em casa, eu e a mãe demos a volta a isto tudo - como deve de ser - e não tardou a que o cheiro a Primavera (que é como quem diz a um daqueles produtos que lava o chão e que tem cor LOL) emanasse por toda a casa. Não que isto só aconteça na Primavera (ahem) , mas ultimamente andava a ser um pouco injusta - não só com a casa, mas sobretudo com a mãe.
Foi aí que, do nada, redescobri aquele cantinho. Era início de tarde, o sol já não batia directamente, mas continuava a aquecer a parede do lado de fora. Sentei-me no chão da varanda... encostada à minha janela e pensei... que saudades de te querer tanto. De querer esta casa, pela qual me apaixonei desde o primeiro momento. E até nem fui só eu... visto que a comprámos. :)

Nada como trabalhar em equipa com alguém de quem gostamos; nada como depois ver o resultado desse trabalho; nada como depois aproveitá-lo. Tudo ao som da melhor música.
E ainda ter tempo para passar o resto do tempo livre na rua, a aproveitar o sol, a companhia e as noites em que já sabe bem chegar tarde. Sabendo sempre que ela continua aqui, de braços abertos e com os cantinhos todos disponíveis, mesmo quando o nosso mau feitio nos coíbe de lhes dar o devido valor. Se ao menos o produto que lava o chão pudesse wash off as lembranças entranhadas por todo o lado. As boas e as más.

O John Howard Payne tinha toda a razão quando, em 1823, se lembrou de escrever a letra para a música Home, Sweet Home. Se gostarmos do sítio onde vivemos, pouco ou nada nos pode meter medo, porque temos sempre um porto seguro para onde voltar. Pior é quando crescemos e percebemos que nada dura para sempre, contrariamente ao que aquelas histórias que nos contaram faziam crer. Mas bom, uma coisa de cada vez. :)

A hall of records, or numbers, or spaces still undone. (L)

Quem faz festas a galego, ainda mais galego é.

Já dizia a minha avó I. e acho que ela tinha - definitivamente - razão.
So, I guess I'm over and done with it.


And we'll both take our revenge
But we still don't feel any better
(...)
I'm scraped and sober, but there's no one listening to me at all.

19 abril 2007

Here with me


Não é por mal, R., a sério que não. É só que… os dias passam. Os meses, os anos. As coisas acontecem e vão-se sucedendo. A vida continua sem nunca parar; ainda que todos quiséssemos um pequenino intervalo.

Não é que não continue a doer; claro que dói. Não é por te ter esquecido, nada disso. São vários os dias (e noites) em que me lembro de ti. O olhar que cativava e aquele sorriso bom. Ninguém te substituiu. Sei que até podes pensar assim, mas não é verdade. Aliás, eu até gostava de poder falar mais de ti, das poucas coisas que ainda tenho para contar... mas não é fácil achar quem me oiça sem constrangimento. Better yet, é extraordinariamente difícil. As pessoas não lidam bem com estas coisas, sabes? Fazem aquele sorriso desajeitado e percebo que tenho de me calar ou, pelo menos, de mudar o assunto. Não tem mal, é compreensível. Acho eu.

Contudo, isso não muda em nada o que se passa entre nós. Não muda em nada a falta que me fazes. E não é parvoíce, não é paranóia... há coisas que acontecem por um motivo, mas R., esta não foi uma delas. Ou então... eu ando muito equivocada sobre o assunto.

Já viste bem quantos anos passaram? Consegues perceber como tudo mudou? Consegues ver como a evolução tem sido complicada?
Acho que ainda ninguém passou da fase de adaptação. Por isso é que o silêncio continua a ter este peso. Por isso é que pouca gente se digna a falar contigo, a ouvir o que tens para dizer. Eu gostava de poder ficar mais tempo lá sentada, junto de ti. Gostava de, numa realidade paralela, poder ouvir-te rir, contar histórias, dizer coisas que só miúdos com quase 7 anos dizem. Gostava de saber como entoarias as palavras, como conjugarias mal os verbos mais difíceis.
Gostava de saber se continuas a bater palmas quando estás contente. Se a praia ainda é para ti das melhores coisas. Se continuas a detestar o amarelo. Se já te fartaste do nosso jogo das mãos.

Eles herdaram muito de ti, sabes? Toda a gente finge não ver, mas há muitas coisas das que eram tuas neles. Acho que irias adorá-los. Não por obrigação ou pelo sangue, mas porque são miúdos extraordinários e repletos de pormenores que só tu irias entender. Sei que sim.

Eu hoje dava tudo por um abraço; daqueles que já sabias dar tão bem. Dava tudo por umas festas no cabelo, daquelas que fazias quando o sono já apertava. Dava tudo por te sentar no meu colo agora que já és grande, como outrora fazia quando não passavas de um bebé crescido.

Tudo mudou, R.; não é só de agora. Não foi só este ano. Às vezes sinto-me culpada por não me lembrar o suficiente. Fico triste por já não conseguir recuperar o teu cheiro; o teu toque. O coração fica apertado quando revejo na memória todos os minutos daqueles dias. O branco não foi o suficiente para que pudesses acalmar as almas perdidas. Sabes bem que, a única coisa que me consola, é a certeza absoluta de que não estás sozinho. É saber que tens agora, tal como eu tive, oportunidade de poder crescer junto das duas pessoas com o melhor coração deste mundo. Tens a sorte de ser mais amado ainda, por uns (bis)avós que te consideravam como (bis)neto. E digo-te, aqui entre nós que ninguém nos ouve, não há ninguém que dê melhor mimo do que esses dois tontos, que tudo fizeram para que nunca nada me faltasse.

Confia em mim; há amores que não precisamos de conquistar, são-nos oferecidos. E o meu será sempre o teu.

16 abril 2007

Oasis - Stop Crying Your Heart Out






"You can't change who people are without destroying who they were."
Jason Treborn







Conheço algumas pessoas que se arrependem das coisas que não fizeram; outras que não se arrependem de nada, porque acham que a vida é mesmo assim - cheia de coisas que não controlamos; outras que acham que tudo tem uma razão de ser; outras que acham que o destino já nos tramou a todos e que estamos aqui mesmo só a cumprir o que já traçaram por nós; outras que nem sabem a quantas andam e que também não querem saber; outras que fazem tudo certinho e direitinho, mesmo que depois no fim nada as faça respirar de satisfação; outras que se arrependem de muita coisa, mas que já não têm tempo para pensar nisso e outras que têm as suas próprias ideias. Conclusão? Conheço demasiadas pessoas! LOL

Acho que sempre me arrependi mais do que fiz do que daquilo que não fiz. Até porque há poucas coisas que não tenha feito, na acepção do tipo de coisas que poderíamos pensar duas vezes antes de as fazer. Dizem que é característica de uma pessoa impulsiva. Txaram, here I am.

Aprendi com o tempo que é estupidamente difícil contrariar as coisas que moldam a pessoa que somos. E aprendi sempre à custa de dramas, histórias e filmes daqueles que podiam ter tido público, plateia ou audiência. Perdi a conta às vezes em que imaginei como o rumo das coisas teria sido outro, tivesse eu agido de maneira diferente aqui e ali. Claro que depois percebia que alterando algumas coisas, impedia que outras tivessem sequer existido e ficaria tudo demasiado estranho. E se numas vezes cheguei à conclusão de que isso seria uma boa solução; noutras percebi que nada deve ser evitado assim e que as coisas têm o seu rumo natural.

Recuso-me a achar que tudo o que aconteceu de errado até aqui tenha sido, única e exclusivamente, culpa minha. Até porque seria irreal pensar dessa forma. Contudo, nas vezes em que imaginei fins diferentes para a mesma história, era sempre eu que mudava aqui e ali. Ou talvez nem sempre, agora que penso mesmo nisso. Deve ter a ver com a perspectiva das coisas. Deve ser normal que só vejamos a nossa versão modificada com tanta nitidez. Conhecemo-nos, sabemos exactamente os pontos fracos e onde dói mais.


Numa altura da minha vida em que andava neste impasse em todos os minutos dos meus dias, fui com a minha amiga C. (grande companheira de inúmeras tardes de cinema, durante o chamado período académico) ver o Butterfly Effect. Assim à toa, sem saber bem de que se tratava. Como aliás vou quase sempre, para grande desespero da P.! LOL
Enfim.. vim de lá com um aperto no coração; com um daqueles nós na garganta que se transformariam num pranto, caso o abraço certo tivesse chegado ali e naquele momento oportuno. Claro que não chegou, até porque fiquei em tal apatia que não consegui articular palavra. No caminho para casa nesse dia, revi todas as coisas que outrora tinha magicado. Todas as voltas e reviravoltas que faziam parte do mosaico paralelo ao da minha vida real. Acho que nunca nenhum filme me disse tanto assim logo à primeira. Acho que nenhum outro filme foi tanto ao pormenor de uma coisa que eu já sentia há tanto tempo. Claro que eu e o Evan temos vidas completamente diferentes, claro que ele é ficção e eu não (pelo menos na maior parte do tempo!), mas o mosaico dele era surpreendentemente compatível com a minha esperança de que as coisas podiam ter sido diferentes. E não digo só em relação a ti, ou a ti ou àquilo ou à outra coisa, digo em relação a inúmeras coisas pequenas que, numa existência paralela, teriam forçosamente de ser adaptadas.

Há uns dias, um amigo disse-me que o filme ia dar na TV. Há já uns tempos que não revia o filme; em 2005 "apresentei-o" a várias pessoas e vi-o sem contar as vezes. Assim, acabei por me render ao puro prazer de ficar de novo colada a um enredo que me diz tanto. E, como se não bastasse, a introdução da música no final.. aquela música, A música, que funde todos os bocadinhos dispersos ao longo do filme, todos os bocadinhos da nossa vida que também precisariam de remendos e que os cola permanentemente num outro mosaico que já não tem volta, que já não pode ser transformado nem mudado.

Isto é o que temos. Isto é o que tenho. Não adianta remoer muito mais no assunto. Fico-me só grata por um dos melhores filmes da minha vida. :)

Bloc Party - I Still Remember


Hoje acordei com saudades tuas.
Assim, do nada e sem aviso prévio. Talvez tenha sonhado contigo, mas não me lembro.
Sei que foste a primeira coisa em que pensei assim que acordei. Depois, naquele bocadinho entre o acordar e o toque do despertador, fiquei a olhar para o vazio lembrando-me de diversas coisas. Nestas manhãs (que cada vez parecem ser menos frequentes), lembro-me sempre de uma coisa nova. Nada muito importante, mas sempre uma daquelas pequenas coisas que deviam ter perdurado a certeza do certo que tudo me parecia naquele momento.
Os minutos demoram mais a passar quando penso em ti. Sobretudo de manhã. E sei que vou tirar de todas as músicas que vou ouvir no caminho um ou dois versos que se adequam perfeitamente a cada um dos momentos lembrados. E depois sorrio. Não é um sorriso daqueles que consegue iluminar uma sala, mas também não é bem um sorriso triste. Sei que fico a olhar interminavelmente no vazio. Claro que depois há sempre qualquer coisa que me chama a atenção e o momento pára. Abruptamente, sim, mas só por um instante. É difícil deixar de pensar em ti quando o dia começa desta maneira; mais ainda quando vou naquele trajecto sozinha.
Contudo, a vida não é feita de paisagens pela janela. E quando o meu dia realmente começa, já estás bem longe do meu imaginário. Pelo menos, longe daquele bocadinho que me faz sorrir para ninguém. Longe daquele bocadinho que teima em ficar comigo e que faz de ti o objecto dessas saudades que me fazem acordar de uma maneira tão diferente.

06 abril 2007


You're the echoes of my everything,

You're the emptiness the whole world sings at night.
You're the laziness of afternoon,
You're the reason why I burst and why I bloomed...
You're the leaky sink of sentiment,
You're the failed attempts I never could forget.
You're the metaphors I can't create to comprehend this curse that I call love...

How will I break the news to you?

25 março 2007





Só porque a gorda deixou. E porque é giro. :)

The Kooks
Kaiser Chiefs
Maximo Park
Bloc Party
Klaxons
e... Arctic Monkeys!

Saudades de Inglaterra. Tantas.

22 março 2007


Há coisas beras e há coisas más. E depois há coisas por que já esperávamos e outras que só nos faltava ter a certeza. E ainda há aquelas que nos doem e as que nos deixam com tal nó na garganta que parece que tudo em volta fica blurry.
E depois há o compreender e perceber. Há que admitir o erro e não pensar mais no assunto. Nos entretantos, though, há também que aceitar e, o pior de tudo, que nos resignarmos por agora já não se poder fazer nada que mude a situação.

E sei que também te sentes assim, sei porque era uma coisa para as duas... mas, ora essa... os planos podem divergir agora, contudo a meta será exactamente a mesma.
Palavra de gorda. []

"At the end of the day, I'm just not very good at being at my own, and seeing Sean tonight threw me. It's so much easier to get over people when you can pretend they've stopped existing – almost as if they've died. You feel sad rather than angry. You can grieve. And I think it helps you to move on. But it means that when you do see them it's that much more painful, a big fat reminder that they're out there, living their life, not giving you a second thought."

in Brand New Friend, Mike Gayle


*sighs*
Bom, há livros assim. Parece que encaixam. :)

20 março 2007


"Rob wondered whether they were talking about the latest series of
Alias, which had just started on cable, because that was a conversation he was dying to have with someone who actually cared."

in Brand New Friend, Mike Gayle


Lindo! :D
As coisas que me acontecem quando os livros são randomly pick na prateleira de Literatura Inglesa da Fnac. C., só me lembrei de ti e como terias adorado se te tivesse acontecido o mesmo. :P

08 março 2007

Symphonie pour les Etoiles


Acordo e sei, pelo barulho que vem do exterior, que ou choveu ou está a chover. Não gosto muito do som que os carros fazem quando passam no chão molhado. Ainda assim, e por mais que tentasse enganar o despertador, levanto-me. Um dia daqueles, mas com perspectivas de um final risonho.
Sei que nem vale a pena levar o livro hoje, tenho demasiado sono. Nem às sms da noite anterior respondo; não me consigo concentrar. Acho que o facto de me deitar e de acordar com isto a doer não facilita. Sei que vai demorar semanas até que passe e feche minimamente, mas enfim.

Há dias em que o trabalho ali é mecanizado. Ontem foi um deles. Contudo, é curioso o afinco com que se trabalha quando se sabe que se vai sair mais cedo. Seja por que razão for... o entusiasmo de sair mais cedo é algo que só se vive na primeira pessoa, não dá para explicar. Mas vá, nem consegui aquilo. E queria, mesmo. Bem sei que não se pode ter tudo e eu já tinha desistido do Francês há muito.
Entre isso e o sol que afinal brilhava, acho que escolho o sol. Ou então a relação mais íntima que já tive com um frigorífico... e nem era meu ou de alguém que conheça. Quer dizer, era mais ou menos, but not quite. Foi giro. Isso e o jantar num sítio também engraçado.
E eu sabia... há muito que sabia que só ao vivo ia perceber a magia. Sabia que só ali ia fazer sentido; comigo sentada a observar de onde surgia aquela música que parece vinda das estrelas, aquela música que faz mexer os pés, mas que adormece a alma. Fui paciente.
Tenho um espírito do contra; acho que sempre tive. Quanto mais me falam de uma coisa, menos atenção tomo. É como se o mundo pudesse avançar uns bons quilómetros à minha frente e eu nem queira reparar. Não me importo de ficar para trás. Vou no meu próprio passo e também chego lá; sério que prefiro assim.
Então, ali fiquei. Completamente extasiada, tentanto (e durante um bocadinho não conseguindo) ignorar o bichanar que me rodeava. Ali, sentada, só a ouvir. Só a alimentar o corpo de coisas tão positivas como aquele calor do início de Primavera (que já não tarda).
Soube, naquele momento, que não há nada de errado comigo. Ou com o mundo. As coisas acontecem e pronto.

E acordei hoje a pensar assim; sem medo. Obrigada, Yann Tiersen. :)

04 março 2007

Seriously?


You seriously wanna know what's wrong?
Seriously?
You seriously wanna know what's going on?

Seriously?
Well, I don't think you should. Want or know. Seriously.

01 março 2007

Kaiser Chiefs - Heat Dies Down*


Nota mental: ter razão nem sempre é bom.

Porque se assim não fosse, agora estaria já quase boa. Não me doeria nada, conseguiria comer e falar assim à parva. Sim, que essas são as duas coisas que mais à parva faço.
Podia andar aí a aproveitar este sol que já cheira a Primavera e que já me faz andar com o casaco na mão ou pendurado na mala. :D
É prova de que nunca nada está como devia estar e, por algum motivo que desconheço, ultimamente tem sido sempre assim. Foi de terem mexido junto ao osso, é o que me dizem. Justificam com coisas que não vi, mas que senti. E eu acredito, sério que sim, mas enfim.. uma ou outra vez preferia não saber já as consequências tão bem. Preferia ser surpreendida pela positiva.
Ainda não foi desta; há-de haver uma próxima. Ou duas, melhor dizendo.

In the meantime, ganha-se um curso em como comer por uma palhinha e falar só o estritamente necessário! Não pode ser mau. :D


*Este novo álbum é TÃO bom! (L)

24 fevereiro 2007


"Não é verdade que o amor seja um sentimento incondicional. Há hiatos no amor. Tem horas em que a tolerância, a generosidade e as virtudes que o acompanham sucumbem às circunstâncias. Tem horas que você quer ver o seu amor morto porque seria um alívio. Esta é a verdade.

Depois o momento passa e a gente ama bonito outra vez.
Ou não."


in "A droga do vício", Entre ossos e a escrita, Maitê Proença

22 fevereiro 2007

Preston Smith - Oh, I Love You So*


Deve ser deste sol que agora bate na janela do bus todas as manhãs.
Deve ser dos batidos que a mãe se levanta, caridosamente, para fazer, de modo a que eu os beba antes de sair de casa.
Deve ser dos (muito) bons livros que me têm calhado na rifa, ultimamente.
Deve ser de todos os dias ter, pelo menos, um bocadinho de tempo para espreitar uma das minhas séries.
Deve ser de agora me poder deslocar com mais facilidade (? I wish! LOL), comodidade e rapidez.
Deve ser dos beijos na boca só porque sim.
Deve ser das risadas com a M., desde que chego até que saio daqui.
Deve ser daquele meu bocadinho de bom feitio que acarreta toda a boa disposição por que sou conhecida.
Deve ser dos All Star castanhos que ficam bem com toda a minha roupa.
Deve ser das festas, das peças de teatro, dos cafés (mais chás, se quisermos ser picuinhas), das visitas inesperadas mas há muito planeadas, dos telefonemas e dos jantares que se sucedem.
Deve ser por ter aceitado que o que não mata, engorda.
Deve ser por causa de qualquer coisa.

Facto que não sei do que é, but hell I like it! :D


*ou a banda sonora das cenas gravadas (supostamente) na Jamaica, com a bela Elizabeth Shue e o engraçado Tom Cruise (numa fase da vida dele em que ainda não metia nojo, segundo as palavras sábias da P.! LOL), no grande filme Cocktail.

20 fevereiro 2007

The Rembrandts - I'll Be There for You


Conjuguei, em menos de dois meses, dez anos da vida de uma série de pessoas. Dez anos do que imagino ter sido uma experiência singular e exemplarmente rica, como pouca coisa pode ser. É impossível não criar uma espécie de bond por personagens que nos mostram e nos "ensinam" tanta coisa, por tanto tempo.

Sim, é certo e sabido que eu sou a maria das séries televisivas. Vejo uma e outra, esta e aquela. Claro que nem todas deixam aquela marca que perdura, ou aquela vontade de rever os episódios, uma e outra vez. Um dia, quando falava sobre isto e tentando aliciar a L. para se aventurar numa série que eu gostava, ela disse-me que não tinha voltado a ver qualquer série depois de Friends. Não acreditava que pudesse haver outra melhor e então, nem arriscava ou se dava a esse trabalho. Lol Na altura ri-me daquilo, mas fiquei intrigada. Já tinha visto uns quantos episódios, na mítica hora de jantar, no canal :2. Contudo, achei que teria de ser do princípio ao fim, para que conseguisse entender onde ela queria chegar.

Tenho de agradecer-lhe publicamente então, por ter instigado esta vontade que me proporcionou alguns dos melhores momentos dos últimos anos. E o mais estranho? Foi que vi todos os episódios sozinha e nem por isso deixei de rir às gargalhadas (ao ponto da mãe vir ver o que se passava! O_o), de me emocionar, de chorar à parva (como se alguma coisa daquilo fosse real) ou de ficar com aquele nervoso miudinho, quando algo huge estava para acontecer. Já sem dizer que o meu repertório de piadas e de vocabulário parvo aumentou assim a olhos vistos! :D

Sim, claro... é só uma série; mas hum... é sobretudo uma DAS séries. Das melhores que já vi até hoje. Obrigada, L.! (L)

01 fevereiro 2007


Sempre achei incrível a facilidade como qualquer assunto se torna num rebuliço, neste país. Se calhar, não é só neste país.. mas como só conheço mesmo a realidade deste, não consigo deixar de pensar nisso.

Até porque (e porque passo grande parte do meu tempo na capital do dito) o assunto está em TODO o lado. Contudo, e depois de ouvir muitas razões pelo Sim e pelo Não.. continuo a achar que não se está a fazer campanha pelas razões certas. (Por mim nem se faria campanha alguma, mas tudo bem.) Afinal, o que está em causa aqui? É que, ou eu ando muito distraída ou anda tudo a apanhar bonés. A questão não é se concordamos ou não com o aborto, a questão é se queremos ou não que o mesmo seja feito em condições. Vá lá.. sejamos realistas. Não vão deixar de haver abortos, nem hoje, nem amanhã, nem nunca (com a dupla negativa a que tem direito, sim senhora). O que me preocupa aqui é a divergência para que o assunto está a caminhar.

Para mim, a campanha do Sim está a perder pontos. E porquê? Porque a campanha do Não ataca "onde dói", no grande Zé Povinho e nas pessoas estupidamente influenciáveis. É surreal saber que colocam panfletos nas malas dos miúdos para os pais lerem em casa.. é surreal saber que escrevem textos em nome de "bebés" que nem existem ainda.. é surreal saber que a Igreja condena publicamente qualquer um dos seus fiéis que ouse ir contra aquilo que a mesma defende.. é surreal pensar que os únicos argumentos que têm passem, única e exclusivamente, por fazer fitas sobre como o "bebé" sofre e se sente triste. Ou como a vida da mulher vai mudar horrorosamente para pior.

Eu respeito muito as pessoas que são contra o aborto. Eu também não sou propriamente a favor. Não acho que seja uma coisa que todas tenhamos de fazer pelo menos uma vez na vida, só para saber como é. Só porque sim e porque é giro. Aliás, acredito que não exista uma única mulher que faça um aborto "porque sim"! E aqui recorro àquele miúdo que toda a gente venera.. e de quem eu até nem sou grande fã, mas que não deixo de lhe reconhecer toda a perspicácia e wit. Uma crónica que li hoje, num link gentilmente cedido pela P., e que vai de acordo com aquilo que é também um pouco a base do meu argumento. Aqui, o RAP diz: "Confesso que não conheço nenhuma mulher que tenha feito um aborto só porque sim, sem um motivo. Mas é a verdade é que eu não conheço mulheres atrasadas mentais. Talvez seja por isso". Para mim, passa sobretudo por aqui. A campanha do Não tem como pressuposto que as mulheres são uns monstros e completas atrasadas mentais. Só pode.

E depois há a tal história da despenalização vs. liberalização. Mas qual é o medo, afinal? É de que, caso o Sim vença, as mulheres vistam todas o seu melhor vestido, pinem à bruta e vão abortar nas 5 semanas seguintes? Mas acredita-se mesmo que as mulheres vão passar a ser menos cuidadosas e a ter relações mais à parva só porque passaram a ter uma solução "fácil"? É esse o grande medo? É que é nisso que se baseia toda a campanha pelo Não, não é? Eu pergunto-me é que raio de mentalidade teríamos nós de ter para que isso acontecesse. A sério, que raio nos restava? Só a demência mesmo, creio eu.

As mulheres vão continuar a abortar. Volto a frisar que não é um referendo que vai mudar isso. Só que enquanto há aquelas que o podem e fazem a tal dita viagem até Espanha e gastam o seu balúrdio, a outra grande maioria, que muitas vezes nem tem apoio de quem quer que seja, fá-lo num vão de umas escadas, numa casa de alguém que diz que sabe que faz as coisas que não se ensinam, numa "clínica" clandestina que lhe desgraça o corpo e o resto da vida. Essa é que é essa. E então? Vamos continuar a querer que estas coisas aconteçam? E que, depois de tudo, ainda sejam perseguidas e julgadas em tribunal como se tivessem cometido algum crime? Não.. é-me difícil não ser parcial, reconheço. Acho muita piada às pessoas que comentam que já ajudaram amigas grávidas e que "correu tudo bem". Associo isso a quando as tias, primas, sobrinhas, amigas ou whatever, se oferecem para tomar conta dos respectivos. Por uns bocados, umas horas, uns dias, uns meses até. Depois, ala para a casa das mães deles. Sim, nunca ouviram dizer: "Eles são muito giros mas é lá na casa deles"? A ideia é exactamente a mesma. Por mais ajuda que se receba, eles continuam a ser nossos e NOSSA responsabilidade. Ou pelo menos, essas seria a lógica proeminente.

É que depois ainda há duas coisas que me irritam solenemente.
A primeira é que (e eu não tenho quaisquer pretensões feministas, note-se) eu não suporto ouvir homens a falar do não-direito da mulher com o seu corpo e com o que está dentro dele, não suporto ouvi-los dizer que elas não têm direito a escolha, que não pode ser assim tão difícil aceitar a gravidez e isto e aquilo. Pelo amor de Deus, mas então? COMO é que eles podem saber? Como? Eu também não falo com verdadeiro conhecimento de causa; nunca estive grávida, lá está. Mas posso vir a estar.. ao passo que eles, não. Portanto, com que moral é que se insurgem sobre o corpo da mulher e sobre aquilo que ela pode/deve/escolhe fazer com ele? Digam-me o que disserem, nunca hei-de conseguir perceber. E é certo que por uns não devem levar todos, mas são elas que são abandonadas no momento crucial.. é sobretudo a vida delas que muda, a partir do momento da concepção e depois cada vez mais. Não sei explicar isto.. é mesmo uma coisa que me irrita.
A segunda centra-se no facto de que, grande parte das mulheres (e homens também) que oiço gritarem pelo Não, são exactamente aquelas mulheres (e homens) de uma geração que lutou e gritou "Viva!" por uma revolução que acabou com a ditadura no país em que vivemos. Uma geração que acreditava que a liberdade era o caminho. Uma geração que, numa parte considerável, também teve os seus "desmanchos", que só não contam agora para a estatística porque grande parte das gerações posteriores não sabe da sua existência. Chateia-me. Chateia-me sim, porque não estão a agir com honestidade.

Eu acho que um feto com 10 semanas já é um ser vivo sim. Sei perfeitamente que já lhe bate um coração. Sei também que não tem ainda cérebro formado ou qualquer indício de sistema nervoso central. Sei ainda que por isso mesmo, não pode ser considerado um ser humano. Não estou equivocada; sei ao que nos referimos. Até porque, hoje em dia, já existem "fotos" dos ditos "bebés" desde bem cedo. Há até quem afirme que os vê a posar para a ecografia ou a fazer adeus (:P para a minha P.)! Portanto, eu sei o que está em causa.
Contudo, a decisão não é minha. É daquela mulher que naquele momento, naquela altura específica da sua vida, não darias as boas-vindas a um filho. Os motivos são só dela (em conjunto com o pai da criança, seja esse o caso). E quem sou eu para a julgar? Quem sou eu? Quem és tu? Quem somos nós para saber o que é melhor para ela? Podemos aconselhá-la sim, podemos dar-lhe as razões do Sim e todas as do Não.. mas at the end of the day, a decisão é DELA. Só dela; e nós, surpreendentemente para muitos, não temos nada com isso.
Para mim, é nisto que se baseia o referendo do dia 11. Não é no quando, como, porquê, onde. É no aqui, agora, já e depois.

Quantos de nós podemos andar aí a dizer de boca cheia que nunca faríamos isto ou aquilo? Quantos de nós sabe o que nos reserva o futuro? Então para quê cuspir para o ar o que nos pode cair em cima? E vejo a "minha" geração a cuspir assim a potes.. a dizer que nunca faria isto ou aquilo. E se naquele dia não tiveres o bendito Durex e pensares "oh, só desta vez"? E se, naquele outro dia, aquilo se rasgar? E se, naquela semana, a pílula te passou ao lado? Fazes o quê? A meio de um curso na universidade (paga pelos pais, calculo) e com a vida toda embrulhada ainda? Com um sustento de um primeiro emprego que mal dá para ti, fazes o quê? Dás a criança aos teus pais para eles a criarem? Pode até ser.. mas como diz a minha querida d. D.: "Se eu quisesse fazer mais um filho, eu ainda sabia como. Não preciso que o faças por mim"! E eu concordo tanto com ela. E bem sei que há outras soluções. Claro, há casas de adopção. Claro, há muitas Casas Pias por aí, ou Casas Gaiato.. mas é tudo tão relativo. É que também há aquelas meninas de dois anos que morrem à fome, numa casa na Suíça. E depois há aquelas recém-nascidas que são violadas e espancadas pelos próprios pais. E ainda a Joana do Algarve, que nunca ninguém saberá todo o mal que lhe fizeram. Claro, há muitas soluções.
Ainda assim, e for what is worth, abortar ou não continua a ser uma decisão minha. Até porque se assim não fosse e um feto de 10 semanas já decidisse mais do que eu, então o meu filho com dois anos também seria o dono e senhor das minhas escolhas. E não me parece que assim seja. Os filhos podem ter influência nas decisões dos pais, mas não podem (ou não devem) ser as crianças a tomar as decisões. Só mesmo porque os adultos somos nós.. e a autoridade, assim como a maturidade, é uma coisa que se adquire com o tempo e não com campanhas.

Não sei.. continuo a achar que é tudo muito relativo. Não é a opinião pública que vai decidir o referendo. Não se iludam. São os rios de dinheiro que correm por detrás deste assunto que vão ditar as (novas) leis deste país. Aquelas pessoas que estão na clandestinidade a ganhar os tais rios de dinheiro, aquelas pessoas a quem o aborto despenalizado não interessa para nada e só lhes vai estragar o negócio. Aquela gente que não se preocupa com nada nem ninguém, só com o seu bem-estar.
Então, o que me chateia mesmo aqui é ver que o assunto está a ser completamente diverted e que, no fim, já ninguém sabe o porquê de estar a votar Sim ou Não. E é uma pena. E vai haver imensa abstenção. E vai continuar a existir mulheres a abortar, ontem, hoje, amanhã e sempre. E se hoje os "assassinos" são os do Sim, Deus queira que depois, nos tempos vindouros, não se tornem "assassinos" os do Não, por todas as mulheres e jovens que morrerão nos cantos escuros desse nosso país.
Pois, é isso tudo mesmo.


Note-se que esta é apenas a minha humilde opinião. Cada pessoa terá, com certeza, a sua.

27 janeiro 2007

Everything's Not Lost


Para ser realmente sincera, devo confessar que nos últimos tempos me tenho sentido coibida de escrever no blog. Não propriamente por falta de tempo ou de vontade, mas sobretudo por não estar numa altura tão "vaga" e por ter um pouco de receio de ser mal interpretada. Sim, que isto de ter poucas pessoas a comentar não é sinal de que isto seja assim tão pouco frequentado. E visto que sou realmente vaga nas coisas que digo, achei melhor jogar pelo seguro.
Contudo, vinha a pensar no autocarro, isto não tem muita lógica. Que me interessa a mim o que as pessoas pensam? Humm.. OK, interessa-me um bocado muito. Acho que interessa a todos, ainda que digamos com grande altivez que não. Mais ainda se essas pessoas no dizem aquele muito. Ou o mundo. :) But still...

Há já demasiado tempo que atribuo as culpas das minhas acções e atitudes àquela relação fracassada. Há já demasiado tempo que me desculpo e aos outros pelas asneiras cometidas. Sim, claro, a vida é para ser vivida.. mas não é suposto ser da melhor maneira possível? Então, há aqui qualquer coisa que não está a bater bem.
É que depois surge esta urgência em começar o tal novo "eu". Aquele que se conseguiria caso houvesse mesmo o tal botão reset do qual nascemos desprovidos. É muito mais complicado arrumar uma casa cheia do que simplesmente colocar móveis e apêndices numa completamente vazia. Não quero parecer repetitiva e bem sei que a conversa dos últimos tempos (sobretudo para quem me rodeia) tem sido quase sempre a mesma.. mas isto é um assunto que dá pano para mangas. Custa-me saber como viver bem.. não ensinam essas coisas na escola ou na faculdade, não se herda dos pais, não se compra no hipermercado, não se adquire por mera intuição. Aprende-se, segundo consta. E eu tenho imensa vontade de aprender; como nunca tive para mais nada. Só mesmo o como é que me tem estado aqui a escapar. E não ainda achar que se pode voltar atrás e começar tudo do início (numa tradução muito livre das verdades cantadas pelo Chris Martin).

Portanto, há que definir prioridades. Há que perceber que estar sozinha não é o fim do mundo e que não me vai cair nenhum bocado. Há que saber admitir que as coisas não voltam atrás e que nunca mais serás meu, na verdadeira acepção da palavra. Assim sendo, que mais se tem a perder senão tempo? Gostava que o autocarro que me leva e me traz todos os dias tivesse um cantinho para este blog.. tenho todos os dias uns monólogos extraordinários, que trazem mesmo algumas respostas. Assim como me fizeste aproximar, também vais acabar por ser tu que me vais afastar. E depois lá chegará o tal closure, que procuro agora e não encontro.

Não há pressa. Não há nenhum novo "eu" à espera. Há sim uma pessoa, duas, a quem as coisas não correram como esperavam. A quem a vida trocou as voltas, a quem tudo lhes foi dado e depois tirado. E então? A sério, isto é ridículo. E demorei tanto tempo a chegar aqui, a exteriorizar esta brilhante conclusão. Estou tão cansada de tudo isto. Não quero mais achar que tenho de mudar; não quero mais achar que devia ter mudado; não quero mais pensar no que poderia ter sido.
As pessoas não mudam. Não mudam não. As pessoas moldam-se, cedem, fingem, escondem-se e atrofiam; mas não mudam, não. Pelo menos, não verdadeiramente. Pelo menos, não no seu íntimo mais recatado. Eu não acredito que mudem; e nunca recebi prova em contrário.

Entretanto não sabes como amar. Já nem sabes se alguma vez soubeste nem se isso é relevante. Tanto amor para dar e depois acusam-te de seres fria? Tu, logo tu? Pois.. talvez tenhas feito mal as contas. E saberás como fazê-las de novo, when and if the time comes? É que é isso que me assusta. É que andes aqui a chamá-los de fdps, esquizos e coiso e, no fim, tu também já tenhas perdido tudo o que de diferente tinhas conseguido para ti. As pessoas não mudam, não adianta teres esperança. E nunca ninguém vai saber exactamente o que estás a dizer ou a sentir. Porque eu sou eu e tu és tu e, por mais que se tente, cada pessoa tem a sua individualidade e a fusão é algo tão ilusório como efémero. Mas continuo a gostar de ti. E de mim. E isso não é algo sobre o qual se tenha grande escolha. :)