27 julho 2007
Jorge Palma
Olá! Sempre apanhaste o tal comboio?
Eu já perdi dois ou três
entre o ócio e as esquinas
ganhei o vício da estrada
nesta outra encruzilhada
talvez agora a coisa dê
o passado foi à história
cá estamos nós outra vez
Conheço a tua cara, mas não sei o teu nome
eu escrevo já aqui, não sei o quê, arroba-ponto-com
vou-te reencontrar noutro bar de estação
ou talvez quando perder mais um avião
o barco vai de saída, tu estás tão bronzeada
é tão bom ver-te assim, ardente
tão queimada
Eu quero reencontrar-te noutra esquina qualquer
sem saber o teu nome ou se ainda és mulher
quero reconhecer-te e beber um café
dizer-te de onde venho e perguntar-te porquê
sorrir-te cá do fundo, subir os degraus
eu quero dar-te um beijo
a cinquenta e tal graus
(...)
Sempre apanhaste o tal comboio?
Eu já perdi dois ou três
entre o ócio e as esquinas
ganhei o vício da estrada
nesta outra encruzilhada
talvez agora a coisa dê
o passado foi à história
cá estamos nós outra vez
cá estamos nós outra vez
[Nunca fui propriamente fã do Jorge Palma... aprendi a gostar dele nas várias vezes que o vi ao vivo. Mas este álbum, e sobretudo esta música, mudam completamente o cenário. Aquela última frase, a esta altura do campeonato, é das que faz mais sentido.]
19 julho 2007
"Who the fuck's Arctic Monkeys?"
Esta moda nova de se passar os concertos a tirar fotos com o telemóvel só para se ter provas de que se esteve mesmo lá, ou a de fazer vídeos para pôr no youtube, ou a de fazer moche nas músicas que não têm nada a ver... hum... aborrece-me. Pergunto-me o que desfruta esta gente do concerto propriamente dito? Da música ao vivo?
Depois é assim que uma pessoa se torna elitista ou armada em mete-nojo. É assim que já não ponho os pés numa plateia com pouco espaço, é assim que prefiro o meu lugar nas bancadas, onde vejo bem e posso dançar à minha vontade. E nem tenho de cheirar o sovaco do miúdo ainda sem barba! Claro que é tudo próprio da idade (desculpam-nos as mães), mas então deve ser próprio da minha idade já não ter o mínimo de pachorra para gente parva e mal educada. E bem sei que isto não se aplica exclusivamente aos menores, mas ontem estavam - claramente - em maioria.
Nevertheless, (L) do tamanho de uma coisa grande para os meus macacos preferidos!
E não sei se já disse, mas cá para mim estas são das melhores frases deste último álbum.
And do me a favour, and ask if you need some help!
She said, do me a favour and stop flattering yourself!
How to tear apart the ties that bind, perhaps fuck off might be too kind,
perhaps fuck off might be too kind.
Post-its
"Às vezes dou por mim a pensar que já nem me lembro da última conversa de amigos que tivemos. Não me lembro. Nem do quando, nem do porquê. Até já estou habituada a que as pessoas saiam da minha vida pela porta dos fundos, pela janela ou até mesmo saltando o muro. Mas tu... tu saíste pela porta da frente. E não a fechaste simplesmente... bateste com ela, de tal modo que fiquei atordoada e sem saber como reagir. Agora ficamos assim, um sem o outro, só porque tu achaste que sim. Ou tu, ou ela."
"É que já nem é o passado que me chateia. Já nem é o que fizeste ou disseste ou deixaste de fazer ou dizer. És tu, mesmo. Não suporto a tua presença. O teu sorrisinho cínico. O facto de te passeares por aquela empresa como se fosses o senhor e o dono da razão e tivesses todo e qualquer motivo para andar de cabeça erguida. E ouve, se há alguém que teria todas as razões para complexo de avestruz, tu és uma delas. Acho que nunca me dei tão a sério com alguém que depois desprezasse tanto."
"Queria que entendesses que isto não é um arrufo. Pelo menos, não é um daqueles que a tua mãe costumava apelidar de namorados. Aliás, eu nem sei o que isto é. Falta de comunicação, mais do que qualquer coisa. Qual é exactamente o problema? Estás zangada porquê? Ou não estás... é desprezo puro, então. Eu sei, sim; sempre soube. Eu preciso mais de ti, do que tu de mim. Mas o tempo passa também... e a importância das coisas acaba por desaparecer. Estás a perder o que não devias, estás a privar-me de coisas que não podias. Enfim... talvez um dia as coisas melhorem. Talvez um dia percebas que não é por não falarmos das coisas, que elas se extinguem e deixam de ter significado. Até lá, não esperes por mim."
"Já chega, entendes? Já chega dessa atitude parva e um tanto ou quanto infantil. És uma mulher feita, já bem crescida. Que lógica é que têm essas parvoíces? Estás a dar cabo de ti e a constranger os que te rodeiam. Sou tua amiga, sim. Sempre fui. Mas não entro nesses joguinhos de toma lá, dá cá. Nessas histórias de promessas vãs, de discursos não pensados e de choro sem sentido. Queres mudar as coisas? Então pára de falar sobre o assunto e age. Se não queres, então não me envolvas em nada disso... simplesmente porque eu não posso, nem quero ter qualquer papel nesse filme. Já me bastam os meus."
"Irrita-me que sejas assim. Irrita-me que aches que podes ser a melhor amiga quando te convém e ficar meses sem dizer nada, quando já não precisas de "desabafar". Acho que não eras assim. Acho que nunca foste tão self-centred, foste? E eu sei que acabar um curso é complicado. Eu sei que no primeiro ano passamos por muitas coisas e que a entrada no mundo do trabalho e dos ditos crescidos não é coisa fácil, mas e daí? Achas que foste a única? Achas que só a ti é que te surgiram dúvidas? Achas que é justo que só te lembres das pessoas quando as coisas não te correm bem? E depois dizes à boca cheia que sou das tuas melhores amigas. Que sou das pessoas que melhor te conhece. Maybe so. Mas, clearly, tu não és das que melhor me conhece. E é uma pena, já que tínhamos tudo para que assim fosse."
"Não percebo o que pretendes de mim. A sério que não. É uma sensação de não come, nem deixa comer. E bem sei que toda a nossa "estória" não abona a favor de nada. Pouco de mim, mas tão menos de ti também. Entendes isso? Nunca foi só de um lado, nunca. E podes levar o resto da tua vida a dizê-lo em voz alta. Podes dizer isso de mim, da outra e da outra. Mas põe a mão na consciência... pensa comigo... não estás propriamente inocente, estás? E nem podias, porque nunca ninguém o está. E não, agora não quero nada disso. E nem devia precisar de me justificar. As coisas não podem ser como tu queres porque não podem. Sabes tão bem as razões como eu, portanto e como diria a Harriet Hayes: Don't play stupid, it's incredibly rude. (...) These are acts of cruelty, disguised as cuteness."
Arcade Fire - Neighborhood #3 (Power Out)*
Um post só para Arcade Fire.
Bons, bons, tão bons. A sério.
Deixo de ser o que quer que seja que sou e oiço-os. Depois, volto a mim.
And the power's out in the heart of man,
take it from your heart put in your hand.
And there's something wrong in the heart of man,
Take it from your heart and put it in your hand!
Mas, ultimamente, até tem sido com alguma frequência que visto o meu melhor fato, me armo em Monica Geller e deixo tudo a brilhar e me imagino como a melhor anfitriã do mundo. :D Tenho perfeita noção de que é tudo uma ilusão, mas ao menos tento.
Assim sendo, passou-se mais uma semana em regime bilingue. E sim, eu tenho mesmo de aprender Catalão. Deitar tarde, levantar tarde, almoçar tarde e nem jantar! Mas oh, rica vida... e oh, que grandes concertos. (L)
Apesar de todas aquelas coisas que só têm importância nos segundos em que decorrem, até não deve ter sido assim tão mau. Or so I hope.
Um (L) enorme para a L. e outro não maior, mas diferente para o A.! :P
Falta muito para Setembro? :D
Sting - Fields of Gold
Sou de grandes paixões. Sou daquele tipo de pessoas que quando é, é para ser mesmo. Verdade que não o é muitas vezes, mas isso eu já não controlo.
E depois há aquelas paixões que deixam de ter uma presença física e constante, mas que ficam a fazer parte de tudo... mais que não seja num cantinho daquela estante, no quarto do Tico e do Teco, que alberga tudo o que realmente importa.
Isto, entrou directamente para um favourite spot. Ficção de qualidade.
E esta música, que nunca me disse nada.
E sim, o Matthew Perry podia ser o homem da minha vida. Todos os dias.
O mal de se deixar passar muito tempo entre uma coisa e outra, é que depois já não sabemos exactamente o quão importante foram as palavras, os gestos e os olhares naqueles determinados momentos.
O mal da falta de tempo de que toda a gente se queixa, é que nos deixa a vida a meio. Sem princípio, meio e fim. Tudo e nada, aqui e ali, agora e depois.
Tudo uma questão de hábito, dizem.
19 junho 2007
Acho uma piada à "minha geração".
Ora portanto... se uma pessoa se deita às 5/6h da manhã e dorme no outro dia até às 16/17h, é uma resistente, uma fixe, uma dos cá da malta, uma maluca. Se uma pessoa tem sono e se deita à meia-noite, até porque no outro dia tem de acordar pouco depois das 7h, é uma farsolas, não tem vida para isto, está a ficar velha e é uma cocó. Mesmo que continue a ser a que dorme menos horas.
Sim, senhor. A lógica da batata.
Três palavrinhas: SO-COR-RO.
Coldplay - Warning Sign
Hoje ouvi das coisas mais absurdas. E, para além disso, soube de uma coisa que me deixou mesmo mesmo surpreendida. E é engraçado... acaba por ter piada as voltas que a vida dá. Ou as voltas que as pessoas dão, para acabarem exactamente no mesmo sítio onde outrora acharam que tudo tinha começado. Não vale a pena gozar com ou apontar o dedo a... calha a todos, sem excepção.
Não sou de todo uma pessoa rancorosa, o que tem o seu lado bom e mau. Devia era ter também muito má memória, isso sim. Não se pode mesmo ter tudo.
[A warning sign,
It came back to haunt me and I realized,
That you were an island and I passed you by,
And you were an island to discover.
When the truth is,
I miss you.
And I'm tired,
I should not have let you go.
Ai ai... culpa da L.]
Senhor, fazei de mim um instrumento de vossa paz;
Onde houver ódio, que eu leve o amor;
Onde houver discórdia, que eu leve a união;
Onde houver dúvidas, que eu leve a fé;
Onde houver erros, que eu leve a verdade;
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão;
Onde houver desespero, que eu leve a esperança;
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria;
Onde houver trevas, que eu leve a luz.
Ó Mestre, fazei com que eu procure mais consolar,
que ser consolado;
Compreender, que ser compreendido;
Amar, que ser amado;
Pois é dando que se recebe;
É perdoando, que se é perdoado;
E é morrendo que se vive para a vida eterna.
Não por fazer sentido, mas porque nem sempre tem de o fazer. E não, eu não sou desse tipo de pessoa. Eu sou mais daquele tipo que faz sempre a cama antes de sair de casa. No matter what. :)
15 junho 2007
Eu não sou muito destas coisas, mas odeio odeio odeio odeio odeio gente que fala alto nos autocarros. Ou no metro. Ou em qualquer outro meio de transporte ou local público, for that matter.
12 junho 2007
Arcade Fire - No Cars Go
Between the click of the light and the start of the dream
(L)
11 junho 2007
sorte
s. f.,
destino;
fado;
dita, fortuna, ventura;
acaso;
risco;
quinhão que tocou em partilha;
sorteio militar;
bilhete ou esferazinha nas rifas ou lotarias.
fig.,
desgraça;
maneira, forma;
espécie;
qualidade.
Há uns tempos, numa daquelas dúvidas que assolam aquelas quatro secretárias na empresa, acabei por ir parar a um dos melhores blogs que já li. Um dos posts nesse blog era exactamente sobre este assunto da sorte. Realmente... por piores que as coisas estejam, parece que temos sempre "sorte". É uma questão de mentalidade e a nossa é assim. E somos tão generosos que a sorte chega a passar fronteiras.
Quase que chega a ser engraçado... do género... um casal deixa os filhos sozinhos e levam-lhes a filha. Tiveram "sorte", podiam ter levado os três filhos. O primo é diagnosticado com meningite viral. Teve "sorte", podia ter sido a bacteriana. Somos um dos países da UE que menos aproveita os seus recursos. Temos "sorte", podíamos ser o pior mesmo. Os amigos deixam de nos falar só porque sim. Temos "sorte", podiam ter sido os nossos pais. O carro anda três meses com a inspecção fora de prazo e descobre-se no dia em que mais polícia existe na cidade. Temos "sorte", podíamos ter sido multados antes.
E a lista continua... portanto não há nada a fazer, parece que a "sorte" não nos larga.
E depois ainda há aquelas pessoas que não distinguem o "há" de haver e o "à" que é a contracção do artigo definido feminino singular com a preposição "a". Lá está... não tiveram a "sorte" de terem sido bem ensinados ou de ler estas coisas explicadas, como se faz aqui.
Sempre fui muito desconfiada com esta coisa da sorte. E cheira-me que vou continuar a sê-lo. Parece-me tudo muito volátil.
07 junho 2007
01 junho 2007
From my language I see...
A beautiful field when the sun first arrives in the spring
The singing of the birds on the trees
A warm country that late emerged to be
Caring people that live near you
Cold people who would walk past you
And we’re all locked in the same things
Told to feel exactly the same things
Expected to become pretty much the same
Still the sun keeps shinning out of the window
Bringing deep blue to the surface of the sea
Now that dreams seem so far away
Laughter of children brings you back
It seems now you’re in a new way
Everything seems to be ok again.
From my language I see
Different people expecting to be
All a new you or a new me.
20 maio 2007
The Thrills - Not for All the Love in the World
Acho que não sei viver em contra-relógio. Pior do que isso... acho que não sei viver uma coisa de cada vez. Quero fazer tudo e não quero perder nada. Ou então quero apenas um bocadinho para ficar aqui, sentada, quieta. Só que não é fácil este estar sozinha no aftermath; custa perceber quão de tudo o que nos rodeia é realmente importante.
Bem sei que não foi pelas melhores razões que entrei naquilo. Também sei que nem sempre vi e ouvi o que devia e que raramente fui parcial. Tornou-se uma casa, though. Se o que define casa é um sítio para onde vamos e nos conhecem... nem sempre nos recebem da melhor maneira, mas nunca nos fecham a porta na cara. Melhor ou pior, os ocupantes passam a fazer parte da nossa vida. Sei que não expliquei tudo; sei também que não perguntaram com grande vontade de saber. Achei que estava a fazer o melhor que podia. Achei que esta sim era a melhor decisão. E ainda acho. Mas como em tudo na minha vida... acabo sempre por achar que podia ter feito de outra maneira, que podia ter evitado muita coisa. Mas não podia. Claro que não podia. Há coisas que não estão ao nosso alcance. A vida não dura muito e eu sinto-me a perder tempo.
Demasiados planos. Demasiadas perguntas. Demasiadas dúvidas. Tanto medo de que as coisas não tenham um final minimamente agradável. E não... não adiantou de nada terem avisado que isto ia ser assim. Não muda em nada a maneira como me sinto. Acho que nem todo o amor do mundo podia fazer com que pensasse de outra maneira; agora, neste instante.
Gostava que me percebesses sem que eu tivesse sequer de falar.
18 maio 2007
A partir de amanhã, novas prioridades no pensamento:
Concertos, concertos, concertos, concertos, concertos, concertos, concertos, concertos, concertos, concertos, concertos, concertos, concertos, concertos; festivais, festivais, festivais, festivais, festivais, festivais, festivais, festivais, festivais, festivais, festivais, festivais, festivais; férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias;
e depois... haja bebida, sol, praia, amigos, música da boa e da putice, com a dita a acompanhar (de preferência)! :D
14 maio 2007
I'm secretly on your side.
Estou tão cansada que nem consigo forçar-me a dormir. Sinto que devia e sei que o corpo precisa desse descanso, mas deito a cabeça na almofada e não consigo coordenar ordens com acções. Que raio de semana.
Acho que mesmo quando não se quer, as coisas que acontecem mudam-nos os planos que tínhamos previamente delineado. Deve ser normal uma azáfama quando se planeiam festas. Ou passeios, ou nadas. Há pormenores a que dou muita importância, outros que nem por isso. De vez em quando, deixo que pensem que estão a decidir coisas por mim. Deixo-me levar por essa ilusão de que alguém pode ter um controlo sobre a minha vida, os meus gostos e as minhas decisões. É estranho. Não é real, though. E tu sabe-lo, mesmo que finjas que não.
13 maio 2007
Lie in the bed you know or go.
Durante a semana traços planos para mil e uma coisas que quero fazer nas 48h do fim-de-semana. É inevitável, acho eu, que assim o seja. Fico com os minutos todos contados e com os trajectos já todos planeados. Não me importo, a sério que não. Contudo, não passa de uma ilusão.
Primeiro, porque nada sai como planeamos e segundo porque eu nunca consigo saber nada com muita antecedência, no que diz respeito aos sítios onde vou e com quem estou.
Não sou nada calculista e até costumo ser espontânea q.b., daí os planos saírem todos baralhados. Até combino coisas em cima umas das outras, porque a cabeça já não é o que era. Depois esqueço-me das pessoas e dos assuntos, não é bonito. Durmo pouco e mal vejo os ruços com quem vivo. Falho a coisas que já são um tanto ou quanto habitué e não tenho como me justificar. Isto tudo porque acho que devo ser mais organizada com o tempo livre de que disponho.
Que parvoíce.
Quando era miúda e os amigos se dividiam em várias frentes, costumava sentir-me da mesma maneira. Desdobrava-me em várias para conseguir fazer tudo e estar com todos em tempo igual. A mãe dizia-me sempre: "Não podes assistir a todos os altares, S.!" Achei sempre que ela estava a exagerar e as coisas só acalmaram mais quando a rotina mudou. Mas, e conforme o que sempre me disse, a mãe tem sempre razão. :)
Não posso assistir a todos os altares, não posso agradar a toda a gente, não posso fazer com que toda a gente me compreenda e perceba a razão de certas atitudes que tenho e/ou decisões que tomo. E depois? Isso é grave? Pois, já ouvi dizer que não... mas alguém consegue explicá-lo ao Tico e ao Teco? É que anda a tornar-se complicado. Ironicamente, dizer que não foi das primeiras coisas que aprendi, mas hoje é das que mais me custa a assimilar. E isto toma proporções brutais, quando o assunto toca oportunidades de estar calada. "Ah, gostava de ir, mas não tenho dinheiro" - não sejas parva, eu empresto-te. "Oh, queria saber arranjar aquilo, mas não percebo patavina" - não te preocupes, eu passo aí e resolvo-te isso. "Estou mesmo a sentir-me mal, precisava de desabafar" - eu deixo o que estou a fazer e vou já para aí. "Oh, não sejas parva, assim ficas tu prejudicada" - cala-te e vamos embora. "Não, achas que te fazia isso? Alguma vez te falhei?" - não, não... está tudo bem. "Não consigo lidar com isto, não consigo" - calma, não fiques assim, eu posso ajudar.
Tenho um mau feitio do tamanho do mundo, quando me chega a neura, torna-se mesmo complicado dar a volta a certos assuntos... mas sou uma estúpida com pessoas de quem gosto. E prejudico-me sim, para dor de cabeça da mãe, que revê em mim muitos erros que também ela cometeu.
Eu não queria passar do 8 para o 80, queria apenas que as coisas acontecessem uma de cada vez. Queria poder dormir mais, ter mais tempo para mim e para as coisas de que gosto. Queria receber um bocadinho daquelas pessoas a quem dou tanto. Queria que não me mentissem, só porque sim. Queria que não me usassem, só porque sabem que perdoo. Queria que não se afastassem sem uma justificação, só porque sabem que depois as aceito de volta. Queria que me dissessem que não, quando depreendem que me vai prejudicar. Ninguém tem obrigação de nada, nem com ninguém... mas isso também é só uma maneira de falar. Não é propriamente verdade e toda a gente o sabe.
E estou cansada. Cansada ao ponto de há já uma semana não conseguir ler no autocarro. Cansada ao ponto de não ver séries. Cansada ao ponto de não conseguir dormir, quando me deito de noite. E queria parar com as correrias, queria ter um colo onde me aninhar quando as coisas não correm exactamente como planeei. Devo ter sido eu que escolhi ter uma vida assim, até porque já dura desde que me lembro de ser gente, mas, ao contrário do que acredito, às vezes é mesmo possível mudar determinadas coisas. E eu quero; quero mais do que tudo mudar esta maneira de agir... esta loucura de dias e de noites em que não devia haver necessidade deste desgaste. Quero porque sim, porque só eu posso ser minha amiga a sério.
Eu sei, eu sei disso.
Sorte que tenho a melhor música do mundo para ouvir... pelo menos, a melhor música do meu mundo.
11 maio 2007
Imogen Heap - Useless
É isso, sim. Uma chapada daquelas bem grandes, mas que nem nos toca.
Aquela pessoa ali não sou eu. Aquele ali, és mesmo tu?
25 abril 2007
The Slip, Life in Disguise
Well the world is only a stage
And I'm just a man
With a sound caught in his throat
And a pick in his hand
But when the song comes tumbling out you understand
There's no great demand
Well it's there under your breath, behind your eyes
And you don't have to say nothing cause I realize
That everything somehow in someway eventually dies
It's life in disguise
It's your room and your board and your fireside
It's a shell that's been washed by a million tides
And if you're there you can see just how bright it shines
When there's nobody left in your heart, left in your head
When the whole world has packed up in shadows and left you for dead
When you can't fake a smile and you just can't get out of your bed
When the people you led turn to you looking so hungry and bare
And you were the one that had brought them there
And all you can do is just stare at your hands and whisper my name
22 abril 2007
Klaxons - Golden Skans
Depois de mais de cinco anos a viver nesta casa, ontem voltei a apaixonar-me por ela. Há já uns tempos que andávamos meio zangadas uma com a outra... por nada em especial, temos tidos uns horários complicados de conciliar. Umas tarefas que implicam não desfrutar dos momentos juntas da melhor maneira. :)
Ontem, numas poucas horas e sem os homens em casa, eu e a mãe demos a volta a isto tudo - como deve de ser - e não tardou a que o cheiro a Primavera (que é como quem diz a um daqueles produtos que lava o chão e que tem cor LOL) emanasse por toda a casa. Não que isto só aconteça na Primavera (ahem) , mas ultimamente andava a ser um pouco injusta - não só com a casa, mas sobretudo com a mãe.
Foi aí que, do nada, redescobri aquele cantinho. Era início de tarde, o sol já não batia directamente, mas continuava a aquecer a parede do lado de fora. Sentei-me no chão da varanda... encostada à minha janela e pensei... que saudades de te querer tanto. De querer esta casa, pela qual me apaixonei desde o primeiro momento. E até nem fui só eu... visto que a comprámos. :)
Nada como trabalhar em equipa com alguém de quem gostamos; nada como depois ver o resultado desse trabalho; nada como depois aproveitá-lo. Tudo ao som da melhor música.
E ainda ter tempo para passar o resto do tempo livre na rua, a aproveitar o sol, a companhia e as noites em que já sabe bem chegar tarde. Sabendo sempre que ela continua aqui, de braços abertos e com os cantinhos todos disponíveis, mesmo quando o nosso mau feitio nos coíbe de lhes dar o devido valor. Se ao menos o produto que lava o chão pudesse wash off as lembranças entranhadas por todo o lado. As boas e as más.
O John Howard Payne tinha toda a razão quando, em 1823, se lembrou de escrever a letra para a música Home, Sweet Home. Se gostarmos do sítio onde vivemos, pouco ou nada nos pode meter medo, porque temos sempre um porto seguro para onde voltar. Pior é quando crescemos e percebemos que nada dura para sempre, contrariamente ao que aquelas histórias que nos contaram faziam crer. Mas bom, uma coisa de cada vez. :)
A hall of records, or numbers, or spaces still undone. (L)
19 abril 2007
Here with me
Não é por mal, R., a sério que não. É só que… os dias passam. Os meses, os anos. As coisas acontecem e vão-se sucedendo. A vida continua sem nunca parar; ainda que todos quiséssemos um pequenino intervalo.
16 abril 2007
Oasis - Stop Crying Your Heart Out
Conheço algumas pessoas que se arrependem das coisas que não fizeram; outras que não se arrependem de nada, porque acham que a vida é mesmo assim - cheia de coisas que não controlamos; outras que acham que tudo tem uma razão de ser; outras que acham que o destino já nos tramou a todos e que estamos aqui mesmo só a cumprir o que já traçaram por nós; outras que nem sabem a quantas andam e que também não querem saber; outras que fazem tudo certinho e direitinho, mesmo que depois no fim nada as faça respirar de satisfação; outras que se arrependem de muita coisa, mas que já não têm tempo para pensar nisso e outras que têm as suas próprias ideias. Conclusão? Conheço demasiadas pessoas! LOL
Aprendi com o tempo que é estupidamente difícil contrariar as coisas que moldam a pessoa que somos. E aprendi sempre à custa de dramas, histórias e filmes daqueles que podiam ter tido público, plateia ou audiência. Perdi a conta às vezes em que imaginei como o rumo das coisas teria sido outro, tivesse eu agido de maneira diferente aqui e ali. Claro que depois percebia que alterando algumas coisas, impedia que outras tivessem sequer existido e ficaria tudo demasiado estranho. E se numas vezes cheguei à conclusão de que isso seria uma boa solução; noutras percebi que nada deve ser evitado assim e que as coisas têm o seu rumo natural.
Recuso-me a achar que tudo o que aconteceu de errado até aqui tenha sido, única e exclusivamente, culpa minha. Até porque seria irreal pensar dessa forma. Contudo, nas vezes em que imaginei fins diferentes para a mesma história, era sempre eu que mudava aqui e ali. Ou talvez nem sempre, agora que penso mesmo nisso. Deve ter a ver com a perspectiva das coisas. Deve ser normal que só vejamos a nossa versão modificada com tanta nitidez. Conhecemo-nos, sabemos exactamente os pontos fracos e onde dói mais.
Numa altura da minha vida em que andava neste impasse em todos os minutos dos meus dias, fui com a minha amiga C. (grande companheira de inúmeras tardes de cinema, durante o chamado período académico) ver o Butterfly Effect. Assim à toa, sem saber bem de que se tratava. Como aliás vou quase sempre, para grande desespero da P.! LOL
Enfim.. vim de lá com um aperto no coração; com um daqueles nós na garganta que se transformariam num pranto, caso o abraço certo tivesse chegado ali e naquele momento oportuno. Claro que não chegou, até porque fiquei em tal apatia que não consegui articular palavra. No caminho para casa nesse dia, revi todas as coisas que outrora tinha magicado. Todas as voltas e reviravoltas que faziam parte do mosaico paralelo ao da minha vida real. Acho que nunca nenhum filme me disse tanto assim logo à primeira. Acho que nenhum outro filme foi tanto ao pormenor de uma coisa que eu já sentia há tanto tempo. Claro que eu e o Evan temos vidas completamente diferentes, claro que ele é ficção e eu não (pelo menos na maior parte do tempo!), mas o mosaico dele era surpreendentemente compatível com a minha esperança de que as coisas podiam ter sido diferentes. E não digo só em relação a ti, ou a ti ou àquilo ou à outra coisa, digo em relação a inúmeras coisas pequenas que, numa existência paralela, teriam forçosamente de ser adaptadas.
Há uns dias, um amigo disse-me que o filme ia dar na TV. Há já uns tempos que não revia o filme; em 2005 "apresentei-o" a várias pessoas e vi-o sem contar as vezes. Assim, acabei por me render ao puro prazer de ficar de novo colada a um enredo que me diz tanto. E, como se não bastasse, a introdução da música no final.. aquela música, A música, que funde todos os bocadinhos dispersos ao longo do filme, todos os bocadinhos da nossa vida que também precisariam de remendos e que os cola permanentemente num outro mosaico que já não tem volta, que já não pode ser transformado nem mudado.
Isto é o que temos. Isto é o que tenho. Não adianta remoer muito mais no assunto. Fico-me só grata por um dos melhores filmes da minha vida. :)
Bloc Party - I Still Remember
Hoje acordei com saudades tuas.
Assim, do nada e sem aviso prévio. Talvez tenha sonhado contigo, mas não me lembro.
Sei que foste a primeira coisa em que pensei assim que acordei. Depois, naquele bocadinho entre o acordar e o toque do despertador, fiquei a olhar para o vazio lembrando-me de diversas coisas. Nestas manhãs (que cada vez parecem ser menos frequentes), lembro-me sempre de uma coisa nova. Nada muito importante, mas sempre uma daquelas pequenas coisas que deviam ter perdurado a certeza do certo que tudo me parecia naquele momento.
Os minutos demoram mais a passar quando penso em ti. Sobretudo de manhã. E sei que vou tirar de todas as músicas que vou ouvir no caminho um ou dois versos que se adequam perfeitamente a cada um dos momentos lembrados. E depois sorrio. Não é um sorriso daqueles que consegue iluminar uma sala, mas também não é bem um sorriso triste. Sei que fico a olhar interminavelmente no vazio. Claro que depois há sempre qualquer coisa que me chama a atenção e o momento pára. Abruptamente, sim, mas só por um instante. É difícil deixar de pensar em ti quando o dia começa desta maneira; mais ainda quando vou naquele trajecto sozinha.
06 abril 2007
You're the echoes of my everything,
You're the emptiness the whole world sings at night.
You're the laziness of afternoon,
You're the reason why I burst and why I bloomed...
You're the leaky sink of sentiment,
You're the failed attempts I never could forget.
You're the metaphors I can't create to comprehend this curse that I call love...
How will I break the news to you?
25 março 2007
22 março 2007
Há coisas beras e há coisas más. E depois há coisas por que já esperávamos e outras que só nos faltava ter a certeza. E ainda há aquelas que nos doem e as que nos deixam com tal nó na garganta que parece que tudo em volta fica blurry.
E depois há o compreender e perceber. Há que admitir o erro e não pensar mais no assunto. Nos entretantos, though, há também que aceitar e, o pior de tudo, que nos resignarmos por agora já não se poder fazer nada que mude a situação.
E sei que também te sentes assim, sei porque era uma coisa para as duas... mas, ora essa... os planos podem divergir agora, contudo a meta será exactamente a mesma.
Palavra de gorda. []
"At the end of the day, I'm just not very good at being at my own, and seeing Sean tonight threw me. It's so much easier to get over people when you can pretend they've stopped existing – almost as if they've died. You feel sad rather than angry. You can grieve. And I think it helps you to move on. But it means that when you do see them it's that much more painful, a big fat reminder that they're out there, living their life, not giving you a second thought."
20 março 2007
"Rob wondered whether they were talking about the latest series of Alias, which had just started on cable, because that was a conversation he was dying to have with someone who actually cared."
08 março 2007
Symphonie pour les Etoiles
Acordo e sei, pelo barulho que vem do exterior, que ou choveu ou está a chover. Não gosto muito do som que os carros fazem quando passam no chão molhado. Ainda assim, e por mais que tentasse enganar o despertador, levanto-me. Um dia daqueles, mas com perspectivas de um final risonho.
Sei que nem vale a pena levar o livro hoje, tenho demasiado sono. Nem às sms da noite anterior respondo; não me consigo concentrar. Acho que o facto de me deitar e de acordar com isto a doer não facilita. Sei que vai demorar semanas até que passe e feche minimamente, mas enfim.
Há dias em que o trabalho ali é mecanizado. Ontem foi um deles. Contudo, é curioso o afinco com que se trabalha quando se sabe que se vai sair mais cedo. Seja por que razão for... o entusiasmo de sair mais cedo é algo que só se vive na primeira pessoa, não dá para explicar. Mas vá, nem consegui aquilo. E queria, mesmo. Bem sei que não se pode ter tudo e eu já tinha desistido do Francês há muito.
Entre isso e o sol que afinal brilhava, acho que escolho o sol. Ou então a relação mais íntima que já tive com um frigorífico... e nem era meu ou de alguém que conheça. Quer dizer, era mais ou menos, but not quite. Foi giro. Isso e o jantar num sítio também engraçado.
E eu sabia... há muito que sabia que só ao vivo ia perceber a magia. Sabia que só ali ia fazer sentido; comigo sentada a observar de onde surgia aquela música que parece vinda das estrelas, aquela música que faz mexer os pés, mas que adormece a alma. Fui paciente.
Tenho um espírito do contra; acho que sempre tive. Quanto mais me falam de uma coisa, menos atenção tomo. É como se o mundo pudesse avançar uns bons quilómetros à minha frente e eu nem queira reparar. Não me importo de ficar para trás. Vou no meu próprio passo e também chego lá; sério que prefiro assim.
Então, ali fiquei. Completamente extasiada, tentanto (e durante um bocadinho não conseguindo) ignorar o bichanar que me rodeava. Ali, sentada, só a ouvir. Só a alimentar o corpo de coisas tão positivas como aquele calor do início de Primavera (que já não tarda).
Soube, naquele momento, que não há nada de errado comigo. Ou com o mundo. As coisas acontecem e pronto.
E acordei hoje a pensar assim; sem medo. Obrigada, Yann Tiersen. :)
04 março 2007
Seriously?
You seriously wanna know what's wrong?
Seriously?
You seriously wanna know what's going on?
Seriously?
Well, I don't think you should. Want or know. Seriously.
01 março 2007
Kaiser Chiefs - Heat Dies Down*
Nota mental: ter razão nem sempre é bom.
Porque se assim não fosse, agora estaria já quase boa. Não me doeria nada, conseguiria comer e falar assim à parva. Sim, que essas são as duas coisas que mais à parva faço.
Podia andar aí a aproveitar este sol que já cheira a Primavera e que já me faz andar com o casaco na mão ou pendurado na mala. :D
É prova de que nunca nada está como devia estar e, por algum motivo que desconheço, ultimamente tem sido sempre assim. Foi de terem mexido junto ao osso, é o que me dizem. Justificam com coisas que não vi, mas que senti. E eu acredito, sério que sim, mas enfim.. uma ou outra vez preferia não saber já as consequências tão bem. Preferia ser surpreendida pela positiva.
Ainda não foi desta; há-de haver uma próxima. Ou duas, melhor dizendo.
In the meantime, ganha-se um curso em como comer por uma palhinha e falar só o estritamente necessário! Não pode ser mau. :D
*Este novo álbum é TÃO bom! (L)
24 fevereiro 2007
"Não é verdade que o amor seja um sentimento incondicional. Há hiatos no amor. Tem horas em que a tolerância, a generosidade e as virtudes que o acompanham sucumbem às circunstâncias. Tem horas que você quer ver o seu amor morto porque seria um alívio. Esta é a verdade.
Depois o momento passa e a gente ama bonito outra vez.
Ou não."
22 fevereiro 2007
Preston Smith - Oh, I Love You So*
Deve ser deste sol que agora bate na janela do bus todas as manhãs.
Deve ser dos batidos que a mãe se levanta, caridosamente, para fazer, de modo a que eu os beba antes de sair de casa.
Deve ser dos (muito) bons livros que me têm calhado na rifa, ultimamente.
Deve ser de todos os dias ter, pelo menos, um bocadinho de tempo para espreitar uma das minhas séries.
Deve ser de agora me poder deslocar com mais facilidade (? I wish! LOL), comodidade e rapidez.
Deve ser dos beijos na boca só porque sim.
Deve ser das risadas com a M., desde que chego até que saio daqui.
Deve ser daquele meu bocadinho de bom feitio que acarreta toda a boa disposição por que sou conhecida.
Deve ser dos All Star castanhos que ficam bem com toda a minha roupa.
Deve ser das festas, das peças de teatro, dos cafés (mais chás, se quisermos ser picuinhas), das visitas inesperadas mas há muito planeadas, dos telefonemas e dos jantares que se sucedem.
Deve ser por ter aceitado que o que não mata, engorda.
Deve ser por causa de qualquer coisa.
Facto que não sei do que é, but hell I like it! :D
*ou a banda sonora das cenas gravadas (supostamente) na Jamaica, com a bela Elizabeth Shue e o engraçado Tom Cruise (numa fase da vida dele em que ainda não metia nojo, segundo as palavras sábias da P.! LOL), no grande filme Cocktail.
20 fevereiro 2007
The Rembrandts - I'll Be There for You
Conjuguei, em menos de dois meses, dez anos da vida de uma série de pessoas. Dez anos do que imagino ter sido uma experiência singular e exemplarmente rica, como pouca coisa pode ser. É impossível não criar uma espécie de bond por personagens que nos mostram e nos "ensinam" tanta coisa, por tanto tempo.
Sim, é certo e sabido que eu sou a maria das séries televisivas. Vejo uma e outra, esta e aquela. Claro que nem todas deixam aquela marca que perdura, ou aquela vontade de rever os episódios, uma e outra vez. Um dia, quando falava sobre isto e tentando aliciar a L. para se aventurar numa série que eu gostava, ela disse-me que não tinha voltado a ver qualquer série depois de Friends. Não acreditava que pudesse haver outra melhor e então, nem arriscava ou se dava a esse trabalho. Lol Na altura ri-me daquilo, mas fiquei intrigada. Já tinha visto uns quantos episódios, na mítica hora de jantar, no canal :2. Contudo, achei que teria de ser do princípio ao fim, para que conseguisse entender onde ela queria chegar.
Tenho de agradecer-lhe publicamente então, por ter instigado esta vontade que me proporcionou alguns dos melhores momentos dos últimos anos. E o mais estranho? Foi que vi todos os episódios sozinha e nem por isso deixei de rir às gargalhadas (ao ponto da mãe vir ver o que se passava! O_o), de me emocionar, de chorar à parva (como se alguma coisa daquilo fosse real) ou de ficar com aquele nervoso miudinho, quando algo huge estava para acontecer. Já sem dizer que o meu repertório de piadas e de vocabulário parvo aumentou assim a olhos vistos! :D
Sim, claro... é só uma série; mas hum... é sobretudo uma DAS séries. Das melhores que já vi até hoje. Obrigada, L.! (L)
01 fevereiro 2007
Sempre achei incrível a facilidade como qualquer assunto se torna num rebuliço, neste país. Se calhar, não é só neste país.. mas como só conheço mesmo a realidade deste, não consigo deixar de pensar nisso.
Até porque (e porque passo grande parte do meu tempo na capital do dito) o assunto está em TODO o lado. Contudo, e depois de ouvir muitas razões pelo Sim e pelo Não.. continuo a achar que não se está a fazer campanha pelas razões certas. (Por mim nem se faria campanha alguma, mas tudo bem.) Afinal, o que está em causa aqui? É que, ou eu ando muito distraída ou anda tudo a apanhar bonés. A questão não é se concordamos ou não com o aborto, a questão é se queremos ou não que o mesmo seja feito em condições. Vá lá.. sejamos realistas. Não vão deixar de haver abortos, nem hoje, nem amanhã, nem nunca (com a dupla negativa a que tem direito, sim senhora). O que me preocupa aqui é a divergência para que o assunto está a caminhar.
Para mim, a campanha do Sim está a perder pontos. E porquê? Porque a campanha do Não ataca "onde dói", no grande Zé Povinho e nas pessoas estupidamente influenciáveis. É surreal saber que colocam panfletos nas malas dos miúdos para os pais lerem em casa.. é surreal saber que escrevem textos em nome de "bebés" que nem existem ainda.. é surreal saber que a Igreja condena publicamente qualquer um dos seus fiéis que ouse ir contra aquilo que a mesma defende.. é surreal pensar que os únicos argumentos que têm passem, única e exclusivamente, por fazer fitas sobre como o "bebé" sofre e se sente triste. Ou como a vida da mulher vai mudar horrorosamente para pior.
Eu respeito muito as pessoas que são contra o aborto. Eu também não sou propriamente a favor. Não acho que seja uma coisa que todas tenhamos de fazer pelo menos uma vez na vida, só para saber como é. Só porque sim e porque é giro. Aliás, acredito que não exista uma única mulher que faça um aborto "porque sim"! E aqui recorro àquele miúdo que toda a gente venera.. e de quem eu até nem sou grande fã, mas que não deixo de lhe reconhecer toda a perspicácia e wit. Uma crónica que li hoje, num link gentilmente cedido pela P., e que vai de acordo com aquilo que é também um pouco a base do meu argumento. Aqui, o RAP diz: "Confesso que não conheço nenhuma mulher que tenha feito um aborto só porque sim, sem um motivo. Mas é a verdade é que eu não conheço mulheres atrasadas mentais. Talvez seja por isso". Para mim, passa sobretudo por aqui. A campanha do Não tem como pressuposto que as mulheres são uns monstros e completas atrasadas mentais. Só pode.
E depois há a tal história da despenalização vs. liberalização. Mas qual é o medo, afinal? É de que, caso o Sim vença, as mulheres vistam todas o seu melhor vestido, pinem à bruta e vão abortar nas 5 semanas seguintes? Mas acredita-se mesmo que as mulheres vão passar a ser menos cuidadosas e a ter relações mais à parva só porque passaram a ter uma solução "fácil"? É esse o grande medo? É que é nisso que se baseia toda a campanha pelo Não, não é? Eu pergunto-me é que raio de mentalidade teríamos nós de ter para que isso acontecesse. A sério, que raio nos restava? Só a demência mesmo, creio eu.
As mulheres vão continuar a abortar. Volto a frisar que não é um referendo que vai mudar isso. Só que enquanto há aquelas que o podem e fazem a tal dita viagem até Espanha e gastam o seu balúrdio, a outra grande maioria, que muitas vezes nem tem apoio de quem quer que seja, fá-lo num vão de umas escadas, numa casa de alguém que diz que sabe que faz as coisas que não se ensinam, numa "clínica" clandestina que lhe desgraça o corpo e o resto da vida. Essa é que é essa. E então? Vamos continuar a querer que estas coisas aconteçam? E que, depois de tudo, ainda sejam perseguidas e julgadas em tribunal como se tivessem cometido algum crime? Não.. é-me difícil não ser parcial, reconheço. Acho muita piada às pessoas que comentam que já ajudaram amigas grávidas e que "correu tudo bem". Associo isso a quando as tias, primas, sobrinhas, amigas ou whatever, se oferecem para tomar conta dos respectivos. Por uns bocados, umas horas, uns dias, uns meses até. Depois, ala para a casa das mães deles. Sim, nunca ouviram dizer: "Eles são muito giros mas é lá na casa deles"? A ideia é exactamente a mesma. Por mais ajuda que se receba, eles continuam a ser nossos e NOSSA responsabilidade. Ou pelo menos, essas seria a lógica proeminente.
É que depois ainda há duas coisas que me irritam solenemente.
A primeira é que (e eu não tenho quaisquer pretensões feministas, note-se) eu não suporto ouvir homens a falar do não-direito da mulher com o seu corpo e com o que está dentro dele, não suporto ouvi-los dizer que elas não têm direito a escolha, que não pode ser assim tão difícil aceitar a gravidez e isto e aquilo. Pelo amor de Deus, mas então? COMO é que eles podem saber? Como? Eu também não falo com verdadeiro conhecimento de causa; nunca estive grávida, lá está. Mas posso vir a estar.. ao passo que eles, não. Portanto, com que moral é que se insurgem sobre o corpo da mulher e sobre aquilo que ela pode/deve/escolhe fazer com ele? Digam-me o que disserem, nunca hei-de conseguir perceber. E é certo que por uns não devem levar todos, mas são elas que são abandonadas no momento crucial.. é sobretudo a vida delas que muda, a partir do momento da concepção e depois cada vez mais. Não sei explicar isto.. é mesmo uma coisa que me irrita.
A segunda centra-se no facto de que, grande parte das mulheres (e homens também) que oiço gritarem pelo Não, são exactamente aquelas mulheres (e homens) de uma geração que lutou e gritou "Viva!" por uma revolução que acabou com a ditadura no país em que vivemos. Uma geração que acreditava que a liberdade era o caminho. Uma geração que, numa parte considerável, também teve os seus "desmanchos", que só não contam agora para a estatística porque grande parte das gerações posteriores não sabe da sua existência. Chateia-me. Chateia-me sim, porque não estão a agir com honestidade.
Eu acho que um feto com 10 semanas já é um ser vivo sim. Sei perfeitamente que já lhe bate um coração. Sei também que não tem ainda cérebro formado ou qualquer indício de sistema nervoso central. Sei ainda que por isso mesmo, não pode ser considerado um ser humano. Não estou equivocada; sei ao que nos referimos. Até porque, hoje em dia, já existem "fotos" dos ditos "bebés" desde bem cedo. Há até quem afirme que os vê a posar para a ecografia ou a fazer adeus (:P para a minha P.)! Portanto, eu sei o que está em causa.
Contudo, a decisão não é minha. É daquela mulher que naquele momento, naquela altura específica da sua vida, não darias as boas-vindas a um filho. Os motivos são só dela (em conjunto com o pai da criança, seja esse o caso). E quem sou eu para a julgar? Quem sou eu? Quem és tu? Quem somos nós para saber o que é melhor para ela? Podemos aconselhá-la sim, podemos dar-lhe as razões do Sim e todas as do Não.. mas at the end of the day, a decisão é DELA. Só dela; e nós, surpreendentemente para muitos, não temos nada com isso.
Para mim, é nisto que se baseia o referendo do dia 11. Não é no quando, como, porquê, onde. É no aqui, agora, já e depois.
Quantos de nós podemos andar aí a dizer de boca cheia que nunca faríamos isto ou aquilo? Quantos de nós sabe o que nos reserva o futuro? Então para quê cuspir para o ar o que nos pode cair em cima? E vejo a "minha" geração a cuspir assim a potes.. a dizer que nunca faria isto ou aquilo. E se naquele dia não tiveres o bendito Durex e pensares "oh, só desta vez"? E se, naquele outro dia, aquilo se rasgar? E se, naquela semana, a pílula te passou ao lado? Fazes o quê? A meio de um curso na universidade (paga pelos pais, calculo) e com a vida toda embrulhada ainda? Com um sustento de um primeiro emprego que mal dá para ti, fazes o quê? Dás a criança aos teus pais para eles a criarem? Pode até ser.. mas como diz a minha querida d. D.: "Se eu quisesse fazer mais um filho, eu ainda sabia como. Não preciso que o faças por mim"! E eu concordo tanto com ela. E bem sei que há outras soluções. Claro, há casas de adopção. Claro, há muitas Casas Pias por aí, ou Casas Gaiato.. mas é tudo tão relativo. É que também há aquelas meninas de dois anos que morrem à fome, numa casa na Suíça. E depois há aquelas recém-nascidas que são violadas e espancadas pelos próprios pais. E ainda a Joana do Algarve, que nunca ninguém saberá todo o mal que lhe fizeram. Claro, há muitas soluções.
Ainda assim, e for what is worth, abortar ou não continua a ser uma decisão minha. Até porque se assim não fosse e um feto de 10 semanas já decidisse mais do que eu, então o meu filho com dois anos também seria o dono e senhor das minhas escolhas. E não me parece que assim seja. Os filhos podem ter influência nas decisões dos pais, mas não podem (ou não devem) ser as crianças a tomar as decisões. Só mesmo porque os adultos somos nós.. e a autoridade, assim como a maturidade, é uma coisa que se adquire com o tempo e não com campanhas.
Não sei.. continuo a achar que é tudo muito relativo. Não é a opinião pública que vai decidir o referendo. Não se iludam. São os rios de dinheiro que correm por detrás deste assunto que vão ditar as (novas) leis deste país. Aquelas pessoas que estão na clandestinidade a ganhar os tais rios de dinheiro, aquelas pessoas a quem o aborto despenalizado não interessa para nada e só lhes vai estragar o negócio. Aquela gente que não se preocupa com nada nem ninguém, só com o seu bem-estar.
Então, o que me chateia mesmo aqui é ver que o assunto está a ser completamente diverted e que, no fim, já ninguém sabe o porquê de estar a votar Sim ou Não. E é uma pena. E vai haver imensa abstenção. E vai continuar a existir mulheres a abortar, ontem, hoje, amanhã e sempre. E se hoje os "assassinos" são os do Sim, Deus queira que depois, nos tempos vindouros, não se tornem "assassinos" os do Não, por todas as mulheres e jovens que morrerão nos cantos escuros desse nosso país.
Pois, é isso tudo mesmo.
Note-se que esta é apenas a minha humilde opinião. Cada pessoa terá, com certeza, a sua.
27 janeiro 2007
Everything's Not Lost
Para ser realmente sincera, devo confessar que nos últimos tempos me tenho sentido coibida de escrever no blog. Não propriamente por falta de tempo ou de vontade, mas sobretudo por não estar numa altura tão "vaga" e por ter um pouco de receio de ser mal interpretada. Sim, que isto de ter poucas pessoas a comentar não é sinal de que isto seja assim tão pouco frequentado. E visto que sou realmente vaga nas coisas que digo, achei melhor jogar pelo seguro.
Contudo, vinha a pensar no autocarro, isto não tem muita lógica. Que me interessa a mim o que as pessoas pensam? Humm.. OK, interessa-me um bocado muito. Acho que interessa a todos, ainda que digamos com grande altivez que não. Mais ainda se essas pessoas no dizem aquele muito. Ou o mundo. :) But still...
Há já demasiado tempo que atribuo as culpas das minhas acções e atitudes àquela relação fracassada. Há já demasiado tempo que me desculpo e aos outros pelas asneiras cometidas. Sim, claro, a vida é para ser vivida.. mas não é suposto ser da melhor maneira possível? Então, há aqui qualquer coisa que não está a bater bem.
É que depois surge esta urgência em começar o tal novo "eu". Aquele que se conseguiria caso houvesse mesmo o tal botão reset do qual nascemos desprovidos. É muito mais complicado arrumar uma casa cheia do que simplesmente colocar móveis e apêndices numa completamente vazia. Não quero parecer repetitiva e bem sei que a conversa dos últimos tempos (sobretudo para quem me rodeia) tem sido quase sempre a mesma.. mas isto é um assunto que dá pano para mangas. Custa-me saber como viver bem.. não ensinam essas coisas na escola ou na faculdade, não se herda dos pais, não se compra no hipermercado, não se adquire por mera intuição. Aprende-se, segundo consta. E eu tenho imensa vontade de aprender; como nunca tive para mais nada. Só mesmo o como é que me tem estado aqui a escapar. E não ainda achar que se pode voltar atrás e começar tudo do início (numa tradução muito livre das verdades cantadas pelo Chris Martin).
Portanto, há que definir prioridades. Há que perceber que estar sozinha não é o fim do mundo e que não me vai cair nenhum bocado. Há que saber admitir que as coisas não voltam atrás e que nunca mais serás meu, na verdadeira acepção da palavra. Assim sendo, que mais se tem a perder senão tempo? Gostava que o autocarro que me leva e me traz todos os dias tivesse um cantinho para este blog.. tenho todos os dias uns monólogos extraordinários, que trazem mesmo algumas respostas. Assim como me fizeste aproximar, também vais acabar por ser tu que me vais afastar. E depois lá chegará o tal closure, que procuro agora e não encontro.
Não há pressa. Não há nenhum novo "eu" à espera. Há sim uma pessoa, duas, a quem as coisas não correram como esperavam. A quem a vida trocou as voltas, a quem tudo lhes foi dado e depois tirado. E então? A sério, isto é ridículo. E demorei tanto tempo a chegar aqui, a exteriorizar esta brilhante conclusão. Estou tão cansada de tudo isto. Não quero mais achar que tenho de mudar; não quero mais achar que devia ter mudado; não quero mais pensar no que poderia ter sido.
As pessoas não mudam. Não mudam não. As pessoas moldam-se, cedem, fingem, escondem-se e atrofiam; mas não mudam, não. Pelo menos, não verdadeiramente. Pelo menos, não no seu íntimo mais recatado. Eu não acredito que mudem; e nunca recebi prova
21 janeiro 2007
É algo que me mete medo. Mas ao mesmo tempo que me mete medo, é das coisas que mais quero saber fazer. E bem sei que isto não vai lá com falinhas mansas.. ou com pensamentos positivos. É esquisito como arranjamos mil e uma desculpas que justifiquem a nossa ausência nos momentos em que mais precisamos de nós. :)
Não posso dizer que sou assim com muita coisa.. não posso simplesmente culpar o meu (mau) feitio.. ou posso? Queria era que esta primeira fase passasse rápido, para conseguir passar para a próxima, em que me vou sentir muito melhor.. de certeza. Ou então não vou. Ou então vou. Acho que já nem sei bem.
13 janeiro 2007
Nelly Furtado, Say It Right
É complicado. É complicado continuar a escrever sobre tudo o que se vai passando. Pelo menos, é complicado que o faça dia após dia; sobretudo porque a filosofia é não pensar muito no que se tem passado.
Talvez essa não seja a solução. Talvez não seja bem assim que as coisas funcionem.
Está na altura de me desampararem a loja. Sim, já sei que chamo à atenção.. sim, já me disseram muitas vezes que cativo as pessoas. So what? Resmas de pessoas que são assim.. há necessidade deste fuss todo about it? Não quero saber de nada disso. Não quero que me tentem dar a volta, não quero. Um, dois, cinco, sete. Mas isto é o quê? E depois a culpa é minha.. claro. How couldn't it be? Olha, vai lá ver se estou ali na esquina. :)
Há aquelas que são bicicletas da aldeia.. e depois há os carrosséis na feira. As únicas bicicletas na minha vida foram mesmo só as minhas (tinha uma com fitinhas lindíssima!) e não eram da aldeia.. eram da cidade mesmo. Como eu também sempre fui. E carrosséis dispenso. Odeio tal coisa. Portanto, acabou-se esta conversa. É que nem quero mais ouvir falar disto.
Haja musiquinha da boa e uma saladinha de alface e tomate sempre à mão, só temperada com sal.
22 dezembro 2006
Climie Fisher - Love Changes (Everything)
*sighs*
Não, ainda não é assim. Mas está quase.. já esteve mais longe.
Ânimo. :)
13 dezembro 2006
Pet Shop Boys - Numb
Quão ténue é a linha que divide o brincar do gozar?
Pois é, pois é. Como diria o outro: "Vai buscar!"
11 dezembro 2006
sono
- s. m.,
- estado de repouso periódico do corpo, especialmente do sistema nervoso, em que há uma cessação temporária da actividade dos órgãos dos sentidos e do movimento voluntário;
- desejo de dormir;
- estado de quem dorme.
Já tinha saudades de me sentir embriagada com sono. E com isso, dizer, fazer e sentir coisas que sóbria nunca dariam o mesmo prazer.
The Cars, Drive
Há coisas que não entendo.
Vai daí, é por isto que dizem que o amor é cego? Engraçado como sempre achei, segundo os contextos onde tal expressão era usada, que a cena do amor ser cego era porque importava mais a maneira como a pessoa era do que a maneira como se apresentava e se vestia e coiso. Talvez não. Talvez a expressão tenha uma contemplação bem mais ampla do que eu sempre imaginei e tenha andado enganada este tempo todo.
Acho piada (sem ter piada alguma) depois como as coisas se desmoronam. Como de palavras repletas de lamechice que não lembra a ninguém, se passa para o oposto da coisa e se dizem as maiores das barbaridades. Acredito piamente que, nas primeiras vezes, elas sejam apenas fruto da mágoa e da zanga e o raio; acredito também que, de tantas vezes serem ditas, acabam por ser como o sushi… primeiro estranha-se e depois entranha-se − e é esquisito. Então, mas espera... somos as mesmas pessoas? Ai somos. Ele há coisas que não entendo.
Entretanto, vão-nos dizendo de tudo. Quem está de fora tem sempre a maior das facilidades em apontar falhas, coisas que nos escaparam e tal. Aqueles conselhos, que sabemos serem os mais acertados, mas que nunca seguimos. Porquê? LOL Ora, gente estúpida mesmo. Claro que as coisas acabam por não ser como queríamos; se fossem e tudo corresse bem, as coisas não acabavam – simples.
Mas nem é isto que é importante… nem é isto que me intriga. O estranho mesmo é pensar que, à conta dessas parvoíces, em nome dessas zangas e das opiniões que se têm (sejam correctas ou não), se põe de lado tudo o que, um dia, teve a maior das importâncias. Se calhar, é mesmo assim. Os bonecos da Playmobil que já foram a minha vida, agora já não me dizem muito. Se calhar, é essa a ordem de ideias. Depois há o refúgio por detrás de uma honestidade que não joga com os padrões do resto do mundo, há a loucura quando a dor é a maior deste mundo, há o degredo só mesmo porque queremos parecer fortes e maus; e, finalmente, há a perversão, para colmatarmos todas as dúvidas que temos de nós próprios e das nossas aptidões para com o dito assunto.
E eu, não entendo. Posso rir, posso entrar nesse jogo do "toma lá, dá cá", "ah toma, sou mais forte e mau do que tu" e do "agora tu e depois eu"… mas... at the end of the day (que NÃO é como quem diz 'no fim do dia'), não vale de nada. O que se teve já não se tira, o que se perdeu já não se ganha, portanto, queimar a pestaninha para quê? Ah espera, porque somos crescidos e fortes e agora já sabemos sempre como ficar por cima. Vá lá... ao menos que se tenha aprendido uma posição nova no meio de tudo isto.
Só espero que seja verdade o que muita gente diz e acredita... isso de que as pessoas mudam. Porque se não tiverem mudado, há-de haver muita lágrima abafada na almofada, de noite, na merda, quando ninguém vê; e pior, simplesmente, não quer saber. Aí, tão fácil que é apontar o dedo, dizer isto e aquilo, acusar de tudo e mais alguma coisa, chamar isto e aquilo e dizer que é tudo da mesma laia. É fácil, só porque sim.
Há coisas que não entendo; provavelmente nunca vou entender. E acho que nem quero.
Assim sendo, acho que prefiro ir a pé para casa.
Our memories depend on a faulty camera in our minds...
Parece-me que é um pouco injusto agora. Não sei, talvez não seja, mas não deixa de ser confuso.
Por alguma razão, dei sempre muito mais valor àquelas duas outras pessoas. Não que as outras duas não fossem importantes e não tivessem um lugar só deles, mas era a convivência e a exclusividade do lado de lá que me faziam traçar esta "distinção". Era na maneira como era tratada, sobretudo naqueles anos mais miúda.
Fácil que era passar de um 8 para um 80, com apenas 50m de distância, coisa que não é tão vulgar assim, nestas situações. Nesse (curto) espaço eu deixava de ser uma pessoa para me tornar noutra, deixava as parvoíces de lado para uma postura mais séria (se é que se pode ter uma postura séria naquela idade), mudava a forma de tratamento e até as companhias, em certos e determinados casos.
Na altura, não percebia que as pessoas têm vivências e passados diferentes, são criadas também de maneira diferente e que isso se reflecte imenso na forma como encaram a vida e as adversidades. Engraçado como isso ser agora parece ser um dado adquirido.
Hoje, e ao longo destes últimos cinco anos e meio, aprendi a "re-descobrir" estas duas pessoas com quem nunca tinha criado um laço digno do parentesco que nos une. Uma proximidade que me faz vê-los com outros olhos, que me faz amar sem ser porque sim, mas porque quero. Uma convivência que me faz ter muitas saudades quando o tempo se torna distante.
E não sei se foi dos anos que já se passaram, se é desta fase da vida, se é da pouca atenção que lhes é reservada, se é do amor que também eles tinham em falta, mas, a verdade é que, agora tudo parece completamente diferente. Há aquela vontade de contar histórias, piadas, de olhar nos olhos, de comentar, de "ternurar" - tal vocábulo fosse possível na Língua Portuguesa. Há uma partilha mútua e sincera, há abraços e mimos qual gente pequena.
E é tão bom saber que afinal, as coisas nem eram nada como tínhamos, primeiramente, imaginado. Sorte de, pelo menos aqui, ainda irmos bem a tempo de "emendar" o mal-entendido. :)
Tenho um problema com o tempo; ou com a falta dele. Tenho um problema com ter um problema com o tempo; ou com a falta dele. Complicado, digerir coisas a mais num espaço a menos. Mais ainda quando são coisas a mais num tempo a menos. Ai.
Mas estou aqui; and certainly not going anywhere. :)
[Os posts que se seguem acima foram escritos durante estes dias.. sem qualquer formatação, rascunhados em qualquer folha de notepad. Finalmente tenho tempo para "arranjá-los". A cabeça não pára, mesmo que o coração às vezes se sinta apertado].
.jpg)