01 março 2007

Kaiser Chiefs - Heat Dies Down*


Nota mental: ter razão nem sempre é bom.

Porque se assim não fosse, agora estaria já quase boa. Não me doeria nada, conseguiria comer e falar assim à parva. Sim, que essas são as duas coisas que mais à parva faço.
Podia andar aí a aproveitar este sol que já cheira a Primavera e que já me faz andar com o casaco na mão ou pendurado na mala. :D
É prova de que nunca nada está como devia estar e, por algum motivo que desconheço, ultimamente tem sido sempre assim. Foi de terem mexido junto ao osso, é o que me dizem. Justificam com coisas que não vi, mas que senti. E eu acredito, sério que sim, mas enfim.. uma ou outra vez preferia não saber já as consequências tão bem. Preferia ser surpreendida pela positiva.
Ainda não foi desta; há-de haver uma próxima. Ou duas, melhor dizendo.

In the meantime, ganha-se um curso em como comer por uma palhinha e falar só o estritamente necessário! Não pode ser mau. :D


*Este novo álbum é TÃO bom! (L)

24 fevereiro 2007


"Não é verdade que o amor seja um sentimento incondicional. Há hiatos no amor. Tem horas em que a tolerância, a generosidade e as virtudes que o acompanham sucumbem às circunstâncias. Tem horas que você quer ver o seu amor morto porque seria um alívio. Esta é a verdade.

Depois o momento passa e a gente ama bonito outra vez.
Ou não."


in "A droga do vício", Entre ossos e a escrita, Maitê Proença

22 fevereiro 2007

Preston Smith - Oh, I Love You So*


Deve ser deste sol que agora bate na janela do bus todas as manhãs.
Deve ser dos batidos que a mãe se levanta, caridosamente, para fazer, de modo a que eu os beba antes de sair de casa.
Deve ser dos (muito) bons livros que me têm calhado na rifa, ultimamente.
Deve ser de todos os dias ter, pelo menos, um bocadinho de tempo para espreitar uma das minhas séries.
Deve ser de agora me poder deslocar com mais facilidade (? I wish! LOL), comodidade e rapidez.
Deve ser dos beijos na boca só porque sim.
Deve ser das risadas com a M., desde que chego até que saio daqui.
Deve ser daquele meu bocadinho de bom feitio que acarreta toda a boa disposição por que sou conhecida.
Deve ser dos All Star castanhos que ficam bem com toda a minha roupa.
Deve ser das festas, das peças de teatro, dos cafés (mais chás, se quisermos ser picuinhas), das visitas inesperadas mas há muito planeadas, dos telefonemas e dos jantares que se sucedem.
Deve ser por ter aceitado que o que não mata, engorda.
Deve ser por causa de qualquer coisa.

Facto que não sei do que é, but hell I like it! :D


*ou a banda sonora das cenas gravadas (supostamente) na Jamaica, com a bela Elizabeth Shue e o engraçado Tom Cruise (numa fase da vida dele em que ainda não metia nojo, segundo as palavras sábias da P.! LOL), no grande filme Cocktail.

20 fevereiro 2007

The Rembrandts - I'll Be There for You


Conjuguei, em menos de dois meses, dez anos da vida de uma série de pessoas. Dez anos do que imagino ter sido uma experiência singular e exemplarmente rica, como pouca coisa pode ser. É impossível não criar uma espécie de bond por personagens que nos mostram e nos "ensinam" tanta coisa, por tanto tempo.

Sim, é certo e sabido que eu sou a maria das séries televisivas. Vejo uma e outra, esta e aquela. Claro que nem todas deixam aquela marca que perdura, ou aquela vontade de rever os episódios, uma e outra vez. Um dia, quando falava sobre isto e tentando aliciar a L. para se aventurar numa série que eu gostava, ela disse-me que não tinha voltado a ver qualquer série depois de Friends. Não acreditava que pudesse haver outra melhor e então, nem arriscava ou se dava a esse trabalho. Lol Na altura ri-me daquilo, mas fiquei intrigada. Já tinha visto uns quantos episódios, na mítica hora de jantar, no canal :2. Contudo, achei que teria de ser do princípio ao fim, para que conseguisse entender onde ela queria chegar.

Tenho de agradecer-lhe publicamente então, por ter instigado esta vontade que me proporcionou alguns dos melhores momentos dos últimos anos. E o mais estranho? Foi que vi todos os episódios sozinha e nem por isso deixei de rir às gargalhadas (ao ponto da mãe vir ver o que se passava! O_o), de me emocionar, de chorar à parva (como se alguma coisa daquilo fosse real) ou de ficar com aquele nervoso miudinho, quando algo huge estava para acontecer. Já sem dizer que o meu repertório de piadas e de vocabulário parvo aumentou assim a olhos vistos! :D

Sim, claro... é só uma série; mas hum... é sobretudo uma DAS séries. Das melhores que já vi até hoje. Obrigada, L.! (L)

01 fevereiro 2007


Sempre achei incrível a facilidade como qualquer assunto se torna num rebuliço, neste país. Se calhar, não é só neste país.. mas como só conheço mesmo a realidade deste, não consigo deixar de pensar nisso.

Até porque (e porque passo grande parte do meu tempo na capital do dito) o assunto está em TODO o lado. Contudo, e depois de ouvir muitas razões pelo Sim e pelo Não.. continuo a achar que não se está a fazer campanha pelas razões certas. (Por mim nem se faria campanha alguma, mas tudo bem.) Afinal, o que está em causa aqui? É que, ou eu ando muito distraída ou anda tudo a apanhar bonés. A questão não é se concordamos ou não com o aborto, a questão é se queremos ou não que o mesmo seja feito em condições. Vá lá.. sejamos realistas. Não vão deixar de haver abortos, nem hoje, nem amanhã, nem nunca (com a dupla negativa a que tem direito, sim senhora). O que me preocupa aqui é a divergência para que o assunto está a caminhar.

Para mim, a campanha do Sim está a perder pontos. E porquê? Porque a campanha do Não ataca "onde dói", no grande Zé Povinho e nas pessoas estupidamente influenciáveis. É surreal saber que colocam panfletos nas malas dos miúdos para os pais lerem em casa.. é surreal saber que escrevem textos em nome de "bebés" que nem existem ainda.. é surreal saber que a Igreja condena publicamente qualquer um dos seus fiéis que ouse ir contra aquilo que a mesma defende.. é surreal pensar que os únicos argumentos que têm passem, única e exclusivamente, por fazer fitas sobre como o "bebé" sofre e se sente triste. Ou como a vida da mulher vai mudar horrorosamente para pior.

Eu respeito muito as pessoas que são contra o aborto. Eu também não sou propriamente a favor. Não acho que seja uma coisa que todas tenhamos de fazer pelo menos uma vez na vida, só para saber como é. Só porque sim e porque é giro. Aliás, acredito que não exista uma única mulher que faça um aborto "porque sim"! E aqui recorro àquele miúdo que toda a gente venera.. e de quem eu até nem sou grande fã, mas que não deixo de lhe reconhecer toda a perspicácia e wit. Uma crónica que li hoje, num link gentilmente cedido pela P., e que vai de acordo com aquilo que é também um pouco a base do meu argumento. Aqui, o RAP diz: "Confesso que não conheço nenhuma mulher que tenha feito um aborto só porque sim, sem um motivo. Mas é a verdade é que eu não conheço mulheres atrasadas mentais. Talvez seja por isso". Para mim, passa sobretudo por aqui. A campanha do Não tem como pressuposto que as mulheres são uns monstros e completas atrasadas mentais. Só pode.

E depois há a tal história da despenalização vs. liberalização. Mas qual é o medo, afinal? É de que, caso o Sim vença, as mulheres vistam todas o seu melhor vestido, pinem à bruta e vão abortar nas 5 semanas seguintes? Mas acredita-se mesmo que as mulheres vão passar a ser menos cuidadosas e a ter relações mais à parva só porque passaram a ter uma solução "fácil"? É esse o grande medo? É que é nisso que se baseia toda a campanha pelo Não, não é? Eu pergunto-me é que raio de mentalidade teríamos nós de ter para que isso acontecesse. A sério, que raio nos restava? Só a demência mesmo, creio eu.

As mulheres vão continuar a abortar. Volto a frisar que não é um referendo que vai mudar isso. Só que enquanto há aquelas que o podem e fazem a tal dita viagem até Espanha e gastam o seu balúrdio, a outra grande maioria, que muitas vezes nem tem apoio de quem quer que seja, fá-lo num vão de umas escadas, numa casa de alguém que diz que sabe que faz as coisas que não se ensinam, numa "clínica" clandestina que lhe desgraça o corpo e o resto da vida. Essa é que é essa. E então? Vamos continuar a querer que estas coisas aconteçam? E que, depois de tudo, ainda sejam perseguidas e julgadas em tribunal como se tivessem cometido algum crime? Não.. é-me difícil não ser parcial, reconheço. Acho muita piada às pessoas que comentam que já ajudaram amigas grávidas e que "correu tudo bem". Associo isso a quando as tias, primas, sobrinhas, amigas ou whatever, se oferecem para tomar conta dos respectivos. Por uns bocados, umas horas, uns dias, uns meses até. Depois, ala para a casa das mães deles. Sim, nunca ouviram dizer: "Eles são muito giros mas é lá na casa deles"? A ideia é exactamente a mesma. Por mais ajuda que se receba, eles continuam a ser nossos e NOSSA responsabilidade. Ou pelo menos, essas seria a lógica proeminente.

É que depois ainda há duas coisas que me irritam solenemente.
A primeira é que (e eu não tenho quaisquer pretensões feministas, note-se) eu não suporto ouvir homens a falar do não-direito da mulher com o seu corpo e com o que está dentro dele, não suporto ouvi-los dizer que elas não têm direito a escolha, que não pode ser assim tão difícil aceitar a gravidez e isto e aquilo. Pelo amor de Deus, mas então? COMO é que eles podem saber? Como? Eu também não falo com verdadeiro conhecimento de causa; nunca estive grávida, lá está. Mas posso vir a estar.. ao passo que eles, não. Portanto, com que moral é que se insurgem sobre o corpo da mulher e sobre aquilo que ela pode/deve/escolhe fazer com ele? Digam-me o que disserem, nunca hei-de conseguir perceber. E é certo que por uns não devem levar todos, mas são elas que são abandonadas no momento crucial.. é sobretudo a vida delas que muda, a partir do momento da concepção e depois cada vez mais. Não sei explicar isto.. é mesmo uma coisa que me irrita.
A segunda centra-se no facto de que, grande parte das mulheres (e homens também) que oiço gritarem pelo Não, são exactamente aquelas mulheres (e homens) de uma geração que lutou e gritou "Viva!" por uma revolução que acabou com a ditadura no país em que vivemos. Uma geração que acreditava que a liberdade era o caminho. Uma geração que, numa parte considerável, também teve os seus "desmanchos", que só não contam agora para a estatística porque grande parte das gerações posteriores não sabe da sua existência. Chateia-me. Chateia-me sim, porque não estão a agir com honestidade.

Eu acho que um feto com 10 semanas já é um ser vivo sim. Sei perfeitamente que já lhe bate um coração. Sei também que não tem ainda cérebro formado ou qualquer indício de sistema nervoso central. Sei ainda que por isso mesmo, não pode ser considerado um ser humano. Não estou equivocada; sei ao que nos referimos. Até porque, hoje em dia, já existem "fotos" dos ditos "bebés" desde bem cedo. Há até quem afirme que os vê a posar para a ecografia ou a fazer adeus (:P para a minha P.)! Portanto, eu sei o que está em causa.
Contudo, a decisão não é minha. É daquela mulher que naquele momento, naquela altura específica da sua vida, não darias as boas-vindas a um filho. Os motivos são só dela (em conjunto com o pai da criança, seja esse o caso). E quem sou eu para a julgar? Quem sou eu? Quem és tu? Quem somos nós para saber o que é melhor para ela? Podemos aconselhá-la sim, podemos dar-lhe as razões do Sim e todas as do Não.. mas at the end of the day, a decisão é DELA. Só dela; e nós, surpreendentemente para muitos, não temos nada com isso.
Para mim, é nisto que se baseia o referendo do dia 11. Não é no quando, como, porquê, onde. É no aqui, agora, já e depois.

Quantos de nós podemos andar aí a dizer de boca cheia que nunca faríamos isto ou aquilo? Quantos de nós sabe o que nos reserva o futuro? Então para quê cuspir para o ar o que nos pode cair em cima? E vejo a "minha" geração a cuspir assim a potes.. a dizer que nunca faria isto ou aquilo. E se naquele dia não tiveres o bendito Durex e pensares "oh, só desta vez"? E se, naquele outro dia, aquilo se rasgar? E se, naquela semana, a pílula te passou ao lado? Fazes o quê? A meio de um curso na universidade (paga pelos pais, calculo) e com a vida toda embrulhada ainda? Com um sustento de um primeiro emprego que mal dá para ti, fazes o quê? Dás a criança aos teus pais para eles a criarem? Pode até ser.. mas como diz a minha querida d. D.: "Se eu quisesse fazer mais um filho, eu ainda sabia como. Não preciso que o faças por mim"! E eu concordo tanto com ela. E bem sei que há outras soluções. Claro, há casas de adopção. Claro, há muitas Casas Pias por aí, ou Casas Gaiato.. mas é tudo tão relativo. É que também há aquelas meninas de dois anos que morrem à fome, numa casa na Suíça. E depois há aquelas recém-nascidas que são violadas e espancadas pelos próprios pais. E ainda a Joana do Algarve, que nunca ninguém saberá todo o mal que lhe fizeram. Claro, há muitas soluções.
Ainda assim, e for what is worth, abortar ou não continua a ser uma decisão minha. Até porque se assim não fosse e um feto de 10 semanas já decidisse mais do que eu, então o meu filho com dois anos também seria o dono e senhor das minhas escolhas. E não me parece que assim seja. Os filhos podem ter influência nas decisões dos pais, mas não podem (ou não devem) ser as crianças a tomar as decisões. Só mesmo porque os adultos somos nós.. e a autoridade, assim como a maturidade, é uma coisa que se adquire com o tempo e não com campanhas.

Não sei.. continuo a achar que é tudo muito relativo. Não é a opinião pública que vai decidir o referendo. Não se iludam. São os rios de dinheiro que correm por detrás deste assunto que vão ditar as (novas) leis deste país. Aquelas pessoas que estão na clandestinidade a ganhar os tais rios de dinheiro, aquelas pessoas a quem o aborto despenalizado não interessa para nada e só lhes vai estragar o negócio. Aquela gente que não se preocupa com nada nem ninguém, só com o seu bem-estar.
Então, o que me chateia mesmo aqui é ver que o assunto está a ser completamente diverted e que, no fim, já ninguém sabe o porquê de estar a votar Sim ou Não. E é uma pena. E vai haver imensa abstenção. E vai continuar a existir mulheres a abortar, ontem, hoje, amanhã e sempre. E se hoje os "assassinos" são os do Sim, Deus queira que depois, nos tempos vindouros, não se tornem "assassinos" os do Não, por todas as mulheres e jovens que morrerão nos cantos escuros desse nosso país.
Pois, é isso tudo mesmo.


Note-se que esta é apenas a minha humilde opinião. Cada pessoa terá, com certeza, a sua.

27 janeiro 2007

Everything's Not Lost


Para ser realmente sincera, devo confessar que nos últimos tempos me tenho sentido coibida de escrever no blog. Não propriamente por falta de tempo ou de vontade, mas sobretudo por não estar numa altura tão "vaga" e por ter um pouco de receio de ser mal interpretada. Sim, que isto de ter poucas pessoas a comentar não é sinal de que isto seja assim tão pouco frequentado. E visto que sou realmente vaga nas coisas que digo, achei melhor jogar pelo seguro.
Contudo, vinha a pensar no autocarro, isto não tem muita lógica. Que me interessa a mim o que as pessoas pensam? Humm.. OK, interessa-me um bocado muito. Acho que interessa a todos, ainda que digamos com grande altivez que não. Mais ainda se essas pessoas no dizem aquele muito. Ou o mundo. :) But still...

Há já demasiado tempo que atribuo as culpas das minhas acções e atitudes àquela relação fracassada. Há já demasiado tempo que me desculpo e aos outros pelas asneiras cometidas. Sim, claro, a vida é para ser vivida.. mas não é suposto ser da melhor maneira possível? Então, há aqui qualquer coisa que não está a bater bem.
É que depois surge esta urgência em começar o tal novo "eu". Aquele que se conseguiria caso houvesse mesmo o tal botão reset do qual nascemos desprovidos. É muito mais complicado arrumar uma casa cheia do que simplesmente colocar móveis e apêndices numa completamente vazia. Não quero parecer repetitiva e bem sei que a conversa dos últimos tempos (sobretudo para quem me rodeia) tem sido quase sempre a mesma.. mas isto é um assunto que dá pano para mangas. Custa-me saber como viver bem.. não ensinam essas coisas na escola ou na faculdade, não se herda dos pais, não se compra no hipermercado, não se adquire por mera intuição. Aprende-se, segundo consta. E eu tenho imensa vontade de aprender; como nunca tive para mais nada. Só mesmo o como é que me tem estado aqui a escapar. E não ainda achar que se pode voltar atrás e começar tudo do início (numa tradução muito livre das verdades cantadas pelo Chris Martin).

Portanto, há que definir prioridades. Há que perceber que estar sozinha não é o fim do mundo e que não me vai cair nenhum bocado. Há que saber admitir que as coisas não voltam atrás e que nunca mais serás meu, na verdadeira acepção da palavra. Assim sendo, que mais se tem a perder senão tempo? Gostava que o autocarro que me leva e me traz todos os dias tivesse um cantinho para este blog.. tenho todos os dias uns monólogos extraordinários, que trazem mesmo algumas respostas. Assim como me fizeste aproximar, também vais acabar por ser tu que me vais afastar. E depois lá chegará o tal closure, que procuro agora e não encontro.

Não há pressa. Não há nenhum novo "eu" à espera. Há sim uma pessoa, duas, a quem as coisas não correram como esperavam. A quem a vida trocou as voltas, a quem tudo lhes foi dado e depois tirado. E então? A sério, isto é ridículo. E demorei tanto tempo a chegar aqui, a exteriorizar esta brilhante conclusão. Estou tão cansada de tudo isto. Não quero mais achar que tenho de mudar; não quero mais achar que devia ter mudado; não quero mais pensar no que poderia ter sido.
As pessoas não mudam. Não mudam não. As pessoas moldam-se, cedem, fingem, escondem-se e atrofiam; mas não mudam, não. Pelo menos, não verdadeiramente. Pelo menos, não no seu íntimo mais recatado. Eu não acredito que mudem; e nunca recebi prova em contrário.

Entretanto não sabes como amar. Já nem sabes se alguma vez soubeste nem se isso é relevante. Tanto amor para dar e depois acusam-te de seres fria? Tu, logo tu? Pois.. talvez tenhas feito mal as contas. E saberás como fazê-las de novo, when and if the time comes? É que é isso que me assusta. É que andes aqui a chamá-los de fdps, esquizos e coiso e, no fim, tu também já tenhas perdido tudo o que de diferente tinhas conseguido para ti. As pessoas não mudam, não adianta teres esperança. E nunca ninguém vai saber exactamente o que estás a dizer ou a sentir. Porque eu sou eu e tu és tu e, por mais que se tente, cada pessoa tem a sua individualidade e a fusão é algo tão ilusório como efémero. Mas continuo a gostar de ti. E de mim. E isso não é algo sobre o qual se tenha grande escolha. :)

21 janeiro 2007


É algo que me mete medo. Mas ao mesmo tempo que me mete medo, é das coisas que mais quero saber fazer. E bem sei que isto não vai lá com falinhas mansas.. ou com pensamentos positivos. É esquisito como arranjamos mil e uma desculpas que justifiquem a nossa ausência nos momentos em que mais precisamos de nós. :)

Não posso dizer que sou assim com muita coisa.. não posso simplesmente culpar o meu (mau) feitio.. ou posso? Queria era que esta primeira fase passasse rápido, para conseguir passar para a próxima, em que me vou sentir muito melhor.. de certeza. Ou então não vou. Ou então vou. Acho que já nem sei bem.

Sei que tem de ser e pronto.
"I KNOW", como diria a minha querida Monica Geller. :)

13 janeiro 2007

Nelly Furtado, Say It Right


É complicado. É complicado continuar a escrever sobre tudo o que se vai passando. Pelo menos, é complicado que o faça dia após dia; sobretudo porque a filosofia é não pensar muito no que se tem passado.

Talvez essa não seja a solução. Talvez não seja bem assim que as coisas funcionem.

Está na altura de me desampararem a loja. Sim, já sei que chamo à atenção.. sim, já me disseram muitas vezes que cativo as pessoas. So what? Resmas de pessoas que são assim.. há necessidade deste fuss todo about it? Não quero saber de nada disso. Não quero que me tentem dar a volta, não quero. Um, dois, cinco, sete. Mas isto é o quê? E depois a culpa é minha.. claro. How couldn't it be? Olha, vai lá ver se estou ali na esquina. :)

Há aquelas que são bicicletas da aldeia.. e depois há os carrosséis na feira. As únicas bicicletas na minha vida foram mesmo só as minhas (tinha uma com fitinhas lindíssima!) e não eram da aldeia.. eram da cidade mesmo. Como eu também sempre fui. E carrosséis dispenso. Odeio tal coisa. Portanto, acabou-se esta conversa. É que nem quero mais ouvir falar disto.

Haja musiquinha da boa e uma saladinha de alface e tomate sempre à mão, só temperada com sal.

22 dezembro 2006

Climie Fisher - Love Changes (Everything)


*sighs*

Não, ainda não é assim. Mas está quase.. já esteve mais longe.
Ânimo. :)

13 dezembro 2006

Pet Shop Boys - Numb


Quão ténue é a linha que divide o brincar do gozar?

Pois é, pois é. Como diria o outro: "Vai buscar!"

11 dezembro 2006

sono

s. m.,
estado de repouso periódico do corpo, especialmente do sistema nervoso, em que há uma cessação temporária da actividade dos órgãos dos sentidos e do movimento voluntário;
desejo de dormir;
estado de quem dorme.

É um facto que nada me deixa num estado mais alterado ou num estado em que digo e faço mais do que me julgaria capaz ou num estado de completa embriaguez. O sono, esse grande culpado.
Já tinha saudades de me sentir embriagada com sono. E com isso, dizer, fazer e sentir coisas que sóbria nunca dariam o mesmo prazer.

The Cars, Drive

Há coisas que não entendo.

Conhecemos uma pessoa, tudo muito giro, muito bonito. Daquelas coisas que não são planeadas e, se o fossem, não teriam o mesmo gostinho especial de coisa boa e inesperada. Parece que se consegue conversar de tudo; horas e horas em que todos os assuntos têm resposta. Gosto de pessoas inteligentes eu... gosto mesmo. Pessoas que não se limitam a concordar com ou a discordar de, mas que têm uma opinião própria, uma vivência que as faz ver as coisas de maneira diferente da nossa e que, mesmo que nem tenhamos plena consciência disso, nos enriquecem com o seu ponto de vista. Depois há aquela fase fofinha, em que tudo parece encaixar; em que era mesmo aquilo por que tínhamos esperado; ai credo, tanta coisa boa numa pessoa só.

Vai daí, é por isto que dizem que o amor é cego? Engraçado como sempre achei, segundo os contextos onde tal expressão era usada, que a cena do amor ser cego era porque importava mais a maneira como a pessoa era do que a maneira como se apresentava e se vestia e coiso. Talvez não. Talvez a expressão tenha uma contemplação bem mais ampla do que eu sempre imaginei e tenha andado enganada este tempo todo.

Acho piada (sem ter piada alguma) depois como as coisas se desmoronam. Como de palavras repletas de lamechice que não lembra a ninguém, se passa para o oposto da coisa e se dizem as maiores das barbaridades. Acredito piamente que, nas primeiras vezes, elas sejam apenas fruto da mágoa e da zanga e o raio; acredito também que, de tantas vezes serem ditas, acabam por ser como o sushi… primeiro estranha-se e depois entranha-se − e é esquisito. Então, mas espera... somos as mesmas pessoas? Ai somos. Ele há coisas que não entendo.

Entretanto, vão-nos dizendo de tudo. Quem está de fora tem sempre a maior das facilidades em apontar falhas, coisas que nos escaparam e tal. Aqueles conselhos, que sabemos serem os mais acertados, mas que nunca seguimos. Porquê? LOL Ora, gente estúpida mesmo. Claro que as coisas acabam por não ser como queríamos; se fossem e tudo corresse bem, as coisas não acabavam – simples.

Mas nem é isto que é importante… nem é isto que me intriga. O estranho mesmo é pensar que, à conta dessas parvoíces, em nome dessas zangas e das opiniões que se têm (sejam correctas ou não), se põe de lado tudo o que, um dia, teve a maior das importâncias. Se calhar, é mesmo assim. Os bonecos da Playmobil que já foram a minha vida, agora já não me dizem muito. Se calhar, é essa a ordem de ideias. Depois há o refúgio por detrás de uma honestidade que não joga com os padrões do resto do mundo, há a loucura quando a dor é a maior deste mundo, há o degredo só mesmo porque queremos parecer fortes e maus; e, finalmente, há a perversão, para colmatarmos todas as dúvidas que temos de nós próprios e das nossas aptidões para com o dito assunto.

E eu, não entendo. Posso rir, posso entrar nesse jogo do "toma lá, dá cá", "ah toma, sou mais forte e mau do que tu" e do "agora tu e depois eu"… mas... at the end of the day (que NÃO é como quem diz 'no fim do dia'), não vale de nada. O que se teve já não se tira, o que se perdeu já não se ganha, portanto, queimar a pestaninha para quê? Ah espera, porque somos crescidos e fortes e agora já sabemos sempre como ficar por cima. Vá lá... ao menos que se tenha aprendido uma posição nova no meio de tudo isto.

Só espero que seja verdade o que muita gente diz e acredita... isso de que as pessoas mudam. Porque se não tiverem mudado, há-de haver muita lágrima abafada na almofada, de noite, na merda, quando ninguém vê; e pior, simplesmente, não quer saber. Aí, tão fácil que é apontar o dedo, dizer isto e aquilo, acusar de tudo e mais alguma coisa, chamar isto e aquilo e dizer que é tudo da mesma laia. É fácil, só porque sim.

Há coisas que não entendo; provavelmente nunca vou entender. E acho que nem quero.

Assim sendo, acho que prefiro ir a pé para casa.

Our memories depend on a faulty camera in our minds...


Parece-me que é um pouco injusto agora. Não sei, talvez não seja, mas não deixa de ser confuso.

Por alguma razão, dei sempre muito mais valor àquelas duas outras pessoas. Não que as outras duas não fossem importantes e não tivessem um lugar só deles, mas era a convivência e a exclusividade do lado de lá que me faziam traçar esta "distinção". Era na maneira como era tratada, sobretudo naqueles anos mais miúda.
Fácil que era passar de um 8 para um 80, com apenas 50m de distância, coisa que não é tão vulgar assim, nestas situações. Nesse (curto) espaço eu deixava de ser uma pessoa para me tornar noutra, deixava as parvoíces de lado para uma postura mais séria (se é que se pode ter uma postura séria naquela idade), mudava a forma de tratamento e até as companhias, em certos e determinados casos.
Na altura, não percebia que as pessoas têm vivências e passados diferentes, são criadas também de maneira diferente e que isso se reflecte imenso na forma como encaram a vida e as adversidades. Engraçado como isso ser agora parece ser um dado adquirido.

Hoje, e ao longo destes últimos cinco anos e meio, aprendi a "re-descobrir" estas duas pessoas com quem nunca tinha criado um laço digno do parentesco que nos une. Uma proximidade que me faz vê-los com outros olhos, que me faz amar sem ser porque sim, mas porque quero. Uma convivência que me faz ter muitas saudades quando o tempo se torna distante.

E não sei se foi dos anos que já se passaram, se é desta fase da vida, se é da pouca atenção que lhes é reservada, se é do amor que também eles tinham em falta, mas, a verdade é que, agora tudo parece completamente diferente. Há aquela vontade de contar histórias, piadas, de olhar nos olhos, de comentar, de "ternurar" - tal vocábulo fosse possível na Língua Portuguesa. Há uma partilha mútua e sincera, há abraços e mimos qual gente pequena.

E é tão bom saber que afinal, as coisas nem eram nada como tínhamos, primeiramente, imaginado. Sorte de, pelo menos aqui, ainda irmos bem a tempo de "emendar" o mal-entendido. :)

Tenho um problema com o tempo; ou com a falta dele. Tenho um problema com ter um problema com o tempo; ou com a falta dele. Complicado, digerir coisas a mais num espaço a menos. Mais ainda quando são coisas a mais num tempo a menos. Ai.

Mas estou aqui; and certainly not going anywhere. :)

[Os posts que se seguem acima foram escritos durante estes dias.. sem qualquer formatação, rascunhados em qualquer folha de notepad. Finalmente tenho tempo para "arranjá-los". A cabeça não pára, mesmo que o coração às vezes se sinta apertado].

23 novembro 2006

Bettie Serveert - Lover I Don't Have To Love


Esta música.. exala libido! (L)
(Mais ainda se se pensar na cena para que foi banda sonora..)

E por falar em libido.. há coisas que merecem ser muito bem divulgadas:

Pela paz!

[link gentilmente mostrado pela minha querida amiga P., que está sempre em cima do acontecimento. Não do dito, mas enfim, isso.. LOL]

19 novembro 2006

1994


Quando for tocar o dedo na ferida
A força que ela tem, o preço de uma vida,
De nada valerá viver
Se a gente não sonhar
A vida é só pagar pra ver
(...)
Só nos valerá se nessa morte em vida
O amor com amor pagar o preço de uma vida
Se não se sonha mais, de que nos valerá
Mesmo quem por mal ofende
Ou que nos vende sem pagar

Quando divisar, a terra prometida
A reconhecerás, o preço de uma vida,
Aquele que pagar pra ver
Nunca mais vai se afastar
Nunca mais vai se perder
(...)
É um anjo que te guarda
E que reconhecerás
Como a força mais ousada que há em nós
Que sonha e não se renderá.

Há uns 12 anos emocionava-me de cada vez que ouvia esta música. Falava de coisas sérias, para mim, na altura.
No meio do quarto semi-'novo', voltei a encontrá-la. E a outras coisas também.

Acho que até tenho medo de começar realmente a 'limpar' este quarto. Na verdadeira acepção da palavra e no sentido figurado. Há tanta coisa que vou deitar fora.. tanta coisa de que me quero desfazer. Tanta coisa que fui sempre metendo em caixinhas e quadradinhos, sabendo que não podia deitar fora, porque um dia ia querer voltar a tudo aquilo. Ahah, mas não quero mais não. :D

E isto não devia ser uma coisa má; nem boa. É apenas uma decisão. Contudo, can't help but sentir-me um bocadinho angustiada por ver que nem toda a gente o compreende. Talvez tenha criado expectativas nas pessoas.. talvez o (quase) nunca ter dito que não tenha afectado para sempre a percepção que têm de mim.. mas, as pessoas mudam, eventualmente. Crescem, oh se crescem. E a cada chapada parece que passa uma eternidade.

Portanto, não sei. Não vou é passar o resto do tempo a desculpar-me de coisas que não têm razão de ser e das quais não me sinto minimamente arrependida. Até porque, se fosse the other way around, nem pensariam duas vezes.



[Na escuridão o teu olhar me iluminava
E minha estrela-guia era o teu riso.
Coisas do passado são alegres
Quando lembram novamente
As pessoas que se amam.. ]

15 novembro 2006


Que vontade de mudar um milhão de coisas.

Quanto mais penso nisso, mais vontade tenho de que o já e o agora não encontrem obstáculos. É aquela ansiedade de quando queremos muito uma coisa, aquela sensação na barriga que nos deixa com a boca seca. Não sei bem explicar o porquê disto ou o quando, mas sei que está aqui e que não vai ser fácil ignorá-lo. E nem quero. :)

Agora só falta aquela missão ser cumprida a tempo e horas e sim, dava jeito acabar de arrumar o quarto 'novo' e a casa 'nova'. Sem uns bons alicerces, nada se faz.

10 novembro 2006

Lúcia Moniz, Dizer que não


LOL Há gente muito parva.. realmente.

Tirando isso, que semana cheia de trabalho. Valeu por ter sempre com quem estar, no final do dia.. (L)
Ainda me vêm falar de convalescença.. Sei lá o que isso é! LOL

Teria tanta coisa para escrever, para contar, para reviver.. mas esta adrenalina que não passa. Esta azáfama que não dá descanso. Esta cabeça que não pára nem um segundo.

Acho que hoje não é noite de ficar em casa. :)

07 novembro 2006


Irritam-me aquelas pessoas que dizem:
"Então? Nunca mais disseste nada.."

Ora essa, então e tu, disseste?

05 novembro 2006

The Cranberries, Linger


Eu, como quase todas as pessoas que conheço, não me coíbo de falar mal do atendimento público, seja neste país ou noutro. Às vezes, dá mesmo vontade de dar um abanão a quem nos atende, implorando por uma reacção dita "normal". Contudo, onde há lugar para críticas, também pode haver lugar para elogios. Ou pelo menos, sempre assim mo ensinaram.

No passado feriado, e porque o tempo não era de passeios, tive de ser atendida nas Urgências do Hospital de S. Bernardo, em Setúbal. Ao contrário do que muito se fala e do que eu esperava (porque não foi a primeira nem a 20ª vez que lá fui), não posso tecer um único comentário que não seja positivo. Desde a médica de banco, simpática e muito bem disposta, à enfermeira que tirou o sangue e pôs o soro, aos maqueiros que andavam sempre a "passear-me" de lado para lado, às auxiliares, queridas e com ar de mãe, à medica otorrino, que explicou tudo, mesmo que eu estivesse mais para lá do que para cá e aos porteiros que, apesar das caras de maus, são muito atenciosos. Nunca me senti sozinha, desamparada ou abandonada, numa daquelas macas, naquele maldito corredor de luzes brancas. Pelo menos, desta vez, correu menos mal. :)

Bom, não estou a fazer publicidade às Urgências para que lá vão passar o próximo feriado por ser tão boooomm.. lol, mas também achei que seria injusto ter ficado com tão boa impressão (e eu estava em tão débil estado) e não dizer nada. Sim, porque falar mal é sempre mais fácil. Ora aqui está, a excepção que contraria a regra.