I think we both did.
Pipas com Sal
'Uma mão cheia de nada e o mundo à cabeceira'
13 Fevereiro 2012
12 Fevereiro 2012
I have nothing (if I don't have you).
Cada
vez que morre mais uma destas pessoas que nem conhecemos, mas com quem
crescemos, parece que deixamos de acreditar mais um bocadinho nisso de
que os outros vivem muito melhor do que nós. Mesmo que daqui a uma
semana já ninguém se lembre de nada e depois de contar os meses, passam
as contar-se os anos e a vida continua. Porque se continua quando morre
gente da nossa família, do nosso sangue, mais ainda quando morrem
pessoas que nunca nos disseram nem um "olá".
Não
deixa de ser triste e não deixa de ser uma coisa que nos faz sentir
pequeninos, perante a morte que chega a todos. Mas parece que o mundo
está decidido a transmitir apenas as más notícias. Ou talvez o
espectáculo seja sempre maior, por culpa do drama. Ou talvez ainda,
sejamos nós os que apenas queremos ver e ouvir falar das coisas más.
E
no meio de tudo isto, sinto-me ainda mais ridícula. Ridícula por andar a
adiar a minha vida por uma pessoa que não pensa em mim nem por cinco
minutos, para não perder o seu tempo precioso. Ridícula por continuar a
escrever a um destinatário vazio, que já não existe. Ridícula por dizer a
toda a gente que estou bem, quando sei perfeitamente que nunca me
encontrei pior. Mas de que adianta? De que adianta tudo isto? Afinal,
basta tomar uns comprimidos enganados e ter ainda restos de álcool no
sangue para se acabar de pernas para o ar numa banheira, como a Whitney.
Há-de
haver uma forma de perceber que a vida continua. E não só nalguns
momentos, quando nos entretêm, mas em todos. Há-de haver uma forma de
acreditar que esses filmes de Hollywood não só contam as coisas que
queremos ouvir e que, sim, até pode ser exista essa coisa de soul mates
(eu até tive a grande sorte de viver a minha vida toda com dois), mas
que não se aplica sempre. E já sei que as coisas não podem ser quando
claramente de um lado não o são, eu sei. Mas vivi (e parece que ainda
vou continuar a viver uns tempos) com a ilusão de que o tempo ia mostrar
que nem tudo é como parece ao princípio. Vivi com a ilusão que as
saudades acabariam por ser as mesmas, que ninguém é realmente
substituível nas nossas vidas, que todos temos um lugar e que temos de
ocupá-lo. Vivi com a ilusão que o amor vale mesmo a pena e que se mostra
das formas menos esperadas. Vivi com a ilusão que o teu era verdadeiro e
que, mesmo depois de tudo, ia voltar ao de cima e abafar o teu orgulho,
de forma a que isto não estivesse perdido para sempre.
Mas
não, era realmente apenas isso, uma ilusão. Portanto, continuar a falar
para quem não me quer ouvir não me parece boa política. Ou a escrever
para quem não me vai ler nunca. Ou continuar a amar a quem não se lembra
já que existo, ainda menos. Não muda nada, também sei.
E
tu vais continuar a achar que agiste sempre bem e que fizeste o que
tinhas de fazer, o melhor que podias e sabias. E, se calhar, foi assim.
Ou, se calhar, até não foi. Mas se é disso que precisas para continuar
com a tua consciência tranquila como até agora, aqui tens o meu aval. O
meu aval para que possas dizer que não foste tu que desististe de mim,
fui eu que desapareci.
Não
é tudo muito mais fácil e bonito assim? So be it então, porque está
visto que, de hoje para amanhã, podemos já cá não estar e fica tudo,
tudo, por dizer.
29 Janeiro 2012
12 Janeiro 2012
Fazer as pazes.
Pouco a pouco. Bocadinho a bocadinho.
E sempre começando pelas que doem mais.
Mas tu percebes Ben e vais ter paciência comigo, sim? :)
I have to face the truth
That no one could ever look at me like you do
Like I'm something worth holding to.
Das saudades... *
Que tu de certeza já não tens, mas que eu continuo a ter muitas.
Cause, I built a home
for you
for me
Until it disappeared
from me
from you
And now, it's time to leave and turn to dust.
*E das coisas que eram sempre boas e que agora são sempre más. Como esta canção.
29 Dezembro 2011
19 Dezembro 2011
If you're gone - maybe it's time to go home.
Há anos que não ouvia isto.
Há anos que não fazia tanto sentido. 18 Dezembro 2011
Paredes brancas. Tectos brancos. Batas brancas.
Lençóis brancos. Fronhas brancas. Luzes brancas.
Nunca percebi muito bem se todo este branco era para dar mais luz ou
para ver mais rápido e claramente o sujo. Mas sempre achei que lhe dava
um tom demasiado imaculado para as coisas às vezes demasiado feias que
podem ocorrer.
Dentro destas quatro paredes a cabeça parece um mecanismo que nunca
deixa de funcionar. Irónico como ao mesmo tempo tenho a sensação de que a
cabeça está completamente vazia ou isenta de neurónios.
Uma coisa é certa: estou sozinha aqui. Não só porque aqui não há ninguém, mas porque mesmo na altura em que ainda havia continuava a sentir-me sozinha. São aquelas coisas que sentimos, mas que não dizemos. Para quê?
E os minutos passam, as horas passam. Ouvem-se gritos de dor,
gargalhadas de alívio e os comentários de quem todos os dias conhece
gente nova e tem de ter sempre um sorriso na cara. Verdade seja dita,
nem sempre o conseguem. Mas a vida é complicada para todos.
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